Por Guilherme Seto | Folhapress
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Teixeira destaca especialmente as ações em propriedades da empresa Suzano, na Bahia e no Espírito Santo, e em terras em que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) realiza experimentos, em Pernambuco. O movimento diz que são latifúndios improdutivos.
"Nós organizamos para lançar em abril um plano nacional de reforma agrária. Mas quando aconteceu a ocupação de Alagoas [na sede do Incra], aquilo estressou muito a nossa relação. Depois, teve a ocupação da Embrapa e a reiteração da ocupação da Suzano estressou demais. O plano já estava na mesa dele [Lula]", afirma Teixeira.
"Eles estão no mês da jornada da reforma agrária e achavam que nos iríamos ao encontro. Mas essas ocupações acabaram estressando demasiadamente", completa. O MST realiza anualmente o chamado Abril Vermelho, uma série de ações para lembrar o massacre de Eldorado do Carajás (1996) e chamar atenção para a pauta da reforma agrária.
Como mostrou a coluna Painel, lideranças do MST vinham caracterizando a postura do ministro como intransigente e se queixavam de dificuldade de interlocução. Teixeira diz que o diálogo entre eles voltou a bons termos na quarta-feira (19), quando o MST se comprometeu a desocupar as áreas da Suzano e da Embrapa.
"A partir desse compromisso nós sinalizamos uma retomada de diálogo para maio. [A relação] tem que se dar por diálogo, por conversa, trazendo demandas para nós", afirma Teixeira.
O novo plano nacional de reforma agrária deve ser anunciado no próximo mês, segundo ficou definido nos encontros entre lideranças do MST e do governo Lula.
O ministro diz que o governo não cedeu ao MST ao promover trocas no comando das superintendências do Incra, como vinha cobrando o movimento. Segundo ele, nenhum dos nomes escolhidos foi indicado pelo MST.
Ele afirma que as mudanças já estavam em curso e que demoraram a se concretizar porque as indicações partiram das bancadas federais aliadas e passaram pelo filtro da Casa Civil.
"Todo o arranjo da ocupação do governo teve uma dimensão político-parlamentar. Todos os nomes que recebi foram indicados pelas bancadas ao ministério. Nenhum nome foi indicado pelo MST", afirma o ministro.
Ao todo, foram trocados os comandos do Incra em 19 estados, além do Distrito Federal, nas últimas semanas. Permanecem sem mudanças as chefias de Minas Gerais, Amazonas, Alagoas, Tocantins, Rondônia, Roraima e Amapá.
"Nenhum nome foi negociado com o MST. Os nomes que estão indo para as superintendências do Incra nos estados são especialistas na área da política agrária", conclui.
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