A médica Isabel Martinez explica o que a ciência mais recente diz que você pode fazer a respeito
Você está na menopausa e tem aquela sensação de que o creme que funcionava há dois anos parou de funcionar? De que a pele parece papel? De que o rosto está mais flácido do que deveria para sua idade? Não é impressão. E não é "da idade".
A médica Isabel Martinez explica que o estrogênio — aquele hormônio que a gente associa com menstruação e fertilidade — é, na verdade, o grande arquiteto da pele feminina.
"Ele está em todo lugar: nas células que fabricam colágeno, nas que formam a barreira protetora, nas que produzem a oleosidade natural, até nos vasinhos que nutrem a pele por dentro. Quando o estrogênio cai, tudo cai junto. E cai rápido"
De acordo com Dra. Isabel, uma das descobertas mais impactantes da dermatologia é esta: nos primeiros cinco anos de menopausa, a pele pode perder até 30% do seu colágeno total.
"Não em décadas. Em cinco anos. E esse número não depende da sua idade — depende de quanto tempo faz que a menopausa começou. Uma mulher de 42 com menopausa precoce pode ter a mesma perda de colágeno que uma de 58.
É por isso que a menopausa não é "envelhecimento". É uma transição. O corpo todo muda de regime — e a pele é o primeiro lugar onde isso aparece. Na prática, o que acontece é um efeito dominó: a pele fica mais fina (menos colágeno), mais seca (menos oleosidade natural e menos ácido hialurônico), mais sensível (a barreira enfraquece), mais flácida (as fibras elásticas se desorganizam) e cicatriza mais devagar (porque o fluxo sanguíneo na derme diminui). Tudo ao mesmo tempo".
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Em 2025, pesquisadores da Mayo Clinic e da Charité de Berlim publicaram uma revisão mostrando que existe outro vilão no envelhecimento da pele — além do sol, além do tempo, além dos hormônios. São as células senescentes.
"Toda célula do seu corpo tem um ciclo de vida. Nasce, trabalha, morre, é substituída. As células senescentes são as que pararam de trabalhar, mas não morrem. Ficam ali, ocupando espaço, e — pior — soltando substâncias inflamatórias que danificam as células vizinhas. É como um colega de trabalho que desistiu, mas fica na sala de reunião atrapalhando todo mundo";
De acordo com Dra. Isabel, os cientistas chamam essas substâncias de SASP — um perfil inflamatório que degrada o colágeno, gera estresse oxidativo e recruta mais inflamação.
"Um ciclo que se retroalimenta. E aqui entra a menopausa: o estrogênio tinha um papel protetor contra o acúmulo dessas células. Sem ele, a pele acumula "zumbis celulares" mais rápido"
A médica esclarece que ciência já está desenvolvendo substâncias que eliminam essas células (os senolíticos) ou que silenciam suas emissões inflamatórias (os senomórficos). Algumas delas são naturais — como a fisetina, encontrada em morangos e maçãs, e a apigenina, do chá de camomila. "Ainda estamos no estágio de pesquisa, mas o conceito é poderoso: não basta repor o que se perdeu. É preciso limpar o que está inflamando".
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