Partido de candidato esquerdista alega que processo eleitoral não apresenta o nível de transparência necessário para refletir a escolha do eleitorado
Sofia Pilagallo/sbt
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à presidência do Peru | Fotos: Reuters/Reuters
O Juntos por el Perú (Juntos pelo Peru), partido do candidato esquerdista Roberto Sánchez, afirmou que não reconhecerá o resultado final das eleições presidenciais do Peru. A legenda alega que o processo eleitoral não apresenta o nível de transparência necessário para refletir a escolha do eleitorado.
Com mais de de 99% das urnas apuradas, Sánchez aparece atrás da adversária, Keiko Fujimori, alinhada à extrema direita. A diferença entre os dois é de aproximadamente 35 mil votos, o equivalente a cerca de 0,2 ponto percentual. Apesar do estágio avançado da contagem, as autoridades eleitorais ainda não proclamaram oficialmente o vencedor da disputa.
Diante desse cenário, o partido convocou uma manifestação para a próxima quarta-feira (17), em Lima, além de novos atos ao longo da semana em diferentes localidades. Já no último sábado (13), coletivos, sindicatos e apoiadores do candidato de esquerda se reuniram na Praça San Martín, no centro da capital, e seguiram em marcha até a sede do Jurado Nacional de Eleições (JNE).
Sánchez também fez um apelo público à adversária para que apoiasse o processo de revisão e recontagem dos votos. O vice da chapa de Keiko, Luis Galarreta, rejeitou a proposta logo após o convite. Dois dias depois, a própria candidata se manifestou e ressaltou que não apoiaria uma recontagem total dos votos.
Durante a apuração do segundo turno presidencial, o JEE informou que 1.595 atas eleitorais estavam sob análise por possíveis inconsistências. O número representa cerca de 1,7% das aproximadamente 92,7 mil atas registradas no processo eleitoral peruano. Novas atas poderão ser submetidas à recontagem caso o JNE considere necessário.
Embora o volume de atas questionadas seja pequeno em relação ao total do sistema eleitoral peruano, seu impacto pode ser relevante em uma disputa tão apertada. A expectativa é que o resultado oficial seja conhecido apenas em meados de julho, após a análise de recursos, contestações e eventuais recontagens apresentadas pelas campanhas.
A legislação peruana prevê a recontagem de votos em diferentes situações. Entre elas estão os casos em que o número de cédulas não coincide com o total de eleitores registrados na mesa; quando há divergências entre os votos registrados na ata e os encontrados na urna; ou quando impugnações apresentadas por partidos são aceitas pelas autoridades eleitorais.
Lentidão
A lentidão na divulgação dos resultados é uma característica recorrente das eleições peruanas. Diferentemente do Brasil, que utiliza urnas eletrônicas, o Peru adota cédulas de papel. Após o fim da votação, os votos são contados manualmente pelas mesas eleitorais, que também preenchem as atas antes do envio dos documentos para processamento pela ONPE.