Vida sexual permanece ativa para parcela significativa das pessoas com mais de 60 anos, enquanto baixo uso de preservativos amplia preocupação com HIV, sífilis e outras infecções

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 mostram que cerca de 41% dos idosos brasileiros relataram ter mantido relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa. Entre os sexualmente ativos, porém, 88,3% foram classificados como praticantes de relações sexuais desprotegidas. Os dados foram analisados em estudo publicado em 2026 na revista Ciência & Saúde Coletiva.
O resultado reforça uma preocupação que acompanha o envelhecimento da população: viver mais e continuar sexualmente ativo também exige que os cuidados com a saúde sexual sejam mantidos ao longo da vida.
“À medida que as pessoas vivem mais e permanecem ativas, precisamos rever a premissa de que a intimidade pertence apenas à juventude. A saúde sexual, que envolve não apenas o ato, mas afeto e vínculo, passa a fazer parte de uma discussão muito mais ampla sobre qualidade de vida e envelhecimento saudável”, afirma o urologista Tiago Negrão, professor de Medicina da UniCesumar de Maringá.
Prevenção ainda é desafio
A baixa utilização de preservativos aumenta a exposição ao HIV, sífilis, gonorreia, hepatites virais e outras ISTs. Entre os motivos apontados para o sexo sem proteção está a percepção de que a camisinha teria como principal finalidade evitar uma gravidez, preocupação que deixa de existir para muitas pessoas na terceira idade.
A confiança no parceiro também aparece como fator importante. No estudo baseado na PNS 2019, 85% dos idosos que relataram uso irregular de preservativo apontaram a confiança no parceiro como motivo.
“A ausência de risco de gravidez não elimina as chances de contrair o vírus do HIV, sífilis, gonorreia, hepatites e outras infecções. A retomada da vida amorosa após viuvez ou divórcios em idades avançadas é positiva, mas exige os mesmos cuidados tomados na juventude. O problema não é o idoso continuar ativo. O erro é manter uma vida sexual sem que a prevenção tenha acompanhado essa transformação”, alerta Negrão.
O avanço do HIV entre pessoas mais velhas também vem sendo apontado como sinal de alerta. Dados do Ministério da Saúde divulgados em 2024 indicaram crescimento expressivo no número absoluto de registros entre pessoas com 60 anos ou mais ao longo da década anterior.
Etarismo pode atrasar diagnóstico
Além da prevenção, outro obstáculo é o etarismo — preconceito relacionado à idade — que pode levar familiares, pacientes e até profissionais de saúde a tratar pessoas idosas como se não tivessem vida sexual.









































