Rinaldo de Oliveira - SNB
O novo medicamento atua em alguns tipos de epilepsia rara e teve efeitos nunca antes conquistados - Foto: Pixabay
Um novo remédio voltado ao tratamento de epilepsia rara apresentou resultados positivos em um estudo feito na Inglaterra. O remédio, chamado Zorevunersen, foi testado em crianças com síndrome de Dravet, uma forma genética e resistente da doença.
Esse tipo de epilepsia afeta aproximadamente 3 mil crianças no país e costuma ser difícil de controlar com os remédios disponíveis hoje. Em muitos casos, as crises são frequentes e exigem acompanhamento constante.
Os resultados do estudo mostram uma queda importante no número de convulsões e melhorias no desenvolvimento das crianças. Os dados também ajudam a abrir caminho para novos tratamentos de doenças parecidas.
Como foi feito o estudo
O teste envolveu 81 crianças e adolescentes, com idades entre 2 e 18 anos. Todos tinham síndrome de Dravet e podiam ter até 18 crises por mês antes do início do tratamento.
O remédio foi aplicado em três doses, em um hospital de Londres, com apoio de pesquisadores da University College London. Após a primeira dose, as crises caíram, em média, pela metade.
Depois das três aplicações, a redução chegou a cerca de 80%. Segundo os pesquisadores, o medicamento foi bem aceito pelos pacientes e não causou efeitos colaterais importantes durante o estudo.
O que mudou no dia a dia das crianças
Além da diminuição das crises, os médicos perceberam mudanças na rotina das crianças. Houve melhora em movimentos do corpo e também na forma de se comunicar.
Esses pontos são relevantes porque a síndrome de Dravet pode afetar o desenvolvimento ao longo da infância. Com menos crises, os pacientes conseguem ter um acompanhamento mais estável.
Também foram observados sinais de que as crianças passaram a lidar melhor com a condição no dia a dia, o que ajuda no cuidado contínuo.
O que dizem os especialistas
A pesquisa foi liderada pela neurologista Helen Cross, que trabalha com epilepsia infantil. Segundo ela, muitos pacientes com esse tipo de condição têm crises frequentes e precisam de cuidados o tempo todo.
“Vejo pacientes com epilepsias genéticas difíceis de tratar, que podem ter várias crises por semana. Muitos não conseguem fazer atividades sozinhos e dependem de acompanhamento constante”,
explicou.
Ela informou que um novo estudo, maior e mais longo, já está sendo organizado para avaliar o uso do remédio por mais tempo e acompanhar possíveis efeitos.
Próximos passos e impacto