Por Folhapress

Foto: Reprodução
Mais de um mês após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou em entrevista à emissora americana NBC publicada nesta quinta-feira (12) que o ditador deposto continua sendo a autoridade legítima de seu país. Ao mesmo tempo, Delcy, que mantém diálogos com o governo de Donald Trump, disse ter sido convidada para viajar a Washington.
A líder afirmou que ainda avalia o convite e não deu detalhes sobre quando a viagem poderá ocorrer nem sobre as pessoas que integrariam a comitiva. "Estamos considerando ir para lá assim que estabelecermos essa cooperação e pudermos avançar com tudo", disse Delcy, na primeira entrevista a uma jornalista americana desde que assumiu o cargo, no mês passado.
Delcy era vice de Maduro. Desde a queda do ditador, que está preso nos EUA, o regime tem aberto canais de conversas com a Casa Branca. Em paralelo, as autoridades venezuelanas têm feito acenos a setores da oposição.
O presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, pediu perdão na semana passada aos presos políticos do país durante uma sessão em que congressistas debateram um projeto de lei de anistia. O texto, aprovado de forma unânime em uma primeira votação, abrange acusados de "traição à pátria", "terrorismo" e "incitação ao ódio". Uma nova rodada de debates deveria ocorrer nesta quinta.
Desde que assumiu o cargo, Delcy tem afirmado acreditar que Maduro, acusado de crimes relacionados ao narcotráfico, continua sendo o presidente legítimo do país. "Digo isso como advogada. Tanto o presidente Maduro quanto Cilia Flores, a primeira-dama, são inocentes", disse ela ao programa "Meet the Press", da NBC News.
A entrevista ocorreu no momento em que o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, faz uma viagem oficial a Caracas. Ele tenta estruturar um plano para revitalizar o setor energético venezuelano, com expectativa de maior participação de investidores americanos.
Na terça (10), o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença geral autorizando o fornecimento de bens, tecnologia, software ou serviços americanos para a exploração, desenvolvimento ou produção de petróleo e gás na Venezuela, permissão aguardada havia muito tempo que pode ajudar a aumentar a produção no país.
Washington vem flexibilizando as sanções sobre a indústria energética da Venezuela, impostas inicialmente em 2019, desde que as forças americanas capturaram Maduro. Isso levou Delcy ao cargo de líder interina, que pouco depois de assumir o comando concordou com um acordo de fornecimento de petróleo de US$ 2 bilhões com os EUA.
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