Temor de que a tecnologia substitua funções humanas de forma disruptiva atingiu recentemente os segmentos imobiliário, de transporte rodoviário e de logística
Paisagem com vários prédios, em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Exame.com / SBT
O avanço acelerado da inteligência artificial tem gerado uma onda de incertezas nos mercados globais, resultando na forte desvalorização de ações em setores que até então eram considerados mais resilientes, conhecidos por integrarem a chamada "velha economia".
O temor de que a tecnologia substitua funções humanas de forma disruptiva atingiu recentemente os segmentos imobiliário, de transporte rodoviário e de logística, que se somam às quedas já observadas em empresas financeiras e de software como serviço (SaaS, em inglês).
A preocupação com o futuro do setor imobiliário comercial, por exemplo, ganhou tração após declarações recentes do empresário bilionário Elon Musk, o qual afirmou que prédios de escritórios podem ficar vazios em breve à medida que a IA substitui os trabalhadores.
A tese é reforçada pelo cofundador e CEO da OtherSide AI, Matt Shumer, que afirmou à CNBC que a tecnologia possui o potencial de erradicar empregos de nível básico e funções administrativas de escritório, reduzindo a assinatura de novos contratos de aluguel e pressionando os ativos imobiliários.
No setor de transporte e logística, a pressão foi sentida diante de novas soluções tecnológicas que prometem ganhos de escala sem a necessidade de pessoal. Um exemplo disso é a nova ferramenta da Algorhythm Holdings, que permite aos operadores aumentar o volume de frete em até 400% sem realizar novas contratações.
Essa perspectiva de uma operação altamente automatizada foi suficiente para derrubar as ações de empresas de transporte rodoviário, refletindo o receio dos investidores quanto ao ajuste estrutural do setor, segundo fontes ouvidas pela CNBC.
Além disso, a aplicação da inteligência artificial na engenharia e manufatura tem apresentado resultados distintos. O bom desempenho manufatureiro, inclusive, tem gerado maior necessidade de transporte. As ações da Siemens, por exemplo, registraram alta após a companhia elevar, também, suas previsões de lucros em 2026.
Apesar do desempenho eventual otimismo nesta área, as perspectivas para o futuro ainda são incertas. Enquanto alguns analistas estão mais positivos com a "velha economia" — a exemplo do transporte aéreo de carga e logística —, outros têm maior cautela, especialmente nos setores aéreo, ferroviário e de carga, com expectativas mistas.
O CEO da Siemens, Roland Busch, destacou à CNBC que o impacto real da IA na manufatura industrial e no projeto de produtos será mais rápido do que o esperado. O executivo sugeriu que, para gigantes da engenharia, a tecnologia é vista mais como um catalisador de lucros do que como uma ameaça existencial à estrutura operacional.
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