Lula defendeu que o país caribenho é vítima de um "massacre de especulação"; navios com ajuda mexicana chegaram a Havana nesta semana
Lula falou sobre a situação em Cuba durante evento de aniversário de 46 anos do PT, em Salvador | Divulgação/Carlos Moreira/PT
Hariane Bittencourt - SBT

Discussões sobre formato, volume e data desses envios estão em curso no Palácio do Planalto e também devem envolver as pastas da Saúde e da Agricultura, que não confirmaram oficialmente iniciativas concretas.
Nos últimos dias, segundo interlocutores, o presidente Lula (PT) não manteve contato ou recebeu pedidos explícitos de ajuda do líder cubano Miguel Díaz-Canel. Mas a pressão de setores de esquerda somada aos relatos que chegam à embaixada do Brasil em Havana têm ampliado a demanda por um aporte brasileiro ao país.
Neste ano, a crise humanitária em Cuba atingiu patamar crítico com apagões diários, insegurança alimentar extrema e escassez de combustíveis. Na segunda-feira (9) o governo cubano anunciou a suspensão do fornecimento de querosene de aviação, ao menos até março, em todos os aeroportos internacionais da ilha.
Parte do mais recente agravamento se deve às sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra Cuba. A Casa Branca passou a estipular tarifas contra países que forneçam petróleo à ilha. A determinação veio na esteira da ação militar na Venezuela, fornecedora de petróleo para os cubanos, que culminou na captura de Nicolás Maduro.
Por ora, o governo brasileiro não trabalha com a chance imediata de uma mudança de regime em Cuba, mas com uma tendência real de aprofundamento da crise humanitária, o que pode levar, inclusive, a processos de migração em massa.
No último sábado (7), quando discursava no aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, Lula citou a necessidade de ajuda ao dizer que Cuba é vítima de um "massacre de especulação" por parte dos norte-americanos.
"O nosso país é um país soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer dono e não quer voltar a ser colonizado. O nosso país é solidário ao povo cubano que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar", afirmou.
Nos últimos dias, o México anunciou o envio de mais de 800 toneladas de alimentos e itens de higiene para Cuba. Os navios mexicanos atracaram em Havana nessa quinta (12). A China também se dispôs a ajudar no enfrentamento da crise de energia provocada pela escassez de combustíveis.
A situação em Cuba está na pauta de assuntos que devem ser levados pelo Brasil para a reunião com a Casa Branca, em março. O encontro ainda não tem data para acontecer.
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