
Monique de Carvalho - SNB
Pesquisadores criaram um colágeno com as mesmas propriedades daquele extraído dos jumentos. A técnuca evita a extinção do animal - Foto: Canva
Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram uma tecnologia capaz de produzir, em laboratório, um colágeno idêntico ao extraído da pele de jumentos, sem necessidade de abate dos animais.
A solução utiliza fermentação de precisão e busca atender à demanda da indústria chinesa de saúde e beleza, especialmente ligada ao ejiao, uma gelatina tradicional feita a partir do colágeno animal.
Além de atender a um mercado em expansão, a iniciativa surge como uma alternativa concreta para reduzir a pressão sobre uma espécie que enfrenta forte risco de desaparecimento no Brasil.
Problema ambiental
O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR e chega em um momento delicado para a espécie. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do IBGE indicam que a população de jumentos no Brasil caiu 94% entre 1996 e 2024.
“De cada 100 jumentos que existiam há 30 anos, hoje restam apenas seis”, afirma Patricia Tatemoto, coordenadora da pesquisa e doutora pela USP.
O principal fator por trás dessa redução é o abate extrativista dos animais para abastecer o mercado de ejiao. O setor movimenta aproximadamente US$ 1,9 bilhão e pode dobrar de valor até 2032, segundo estimativas internacionais.
Como o colágeno é produzido em laboratório
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros se baseia na fermentação de precisão, método já usado em outros segmentos da biotecnologia.
O processo começa com a inserção do DNA responsável pelo colágeno do jumento em uma levedura. A partir daí, o micro-organismo passa a produzir a proteína dentro de biorreatores, em um sistema semelhante ao da fabricação de cerveja. Mais no sonoticiaboa
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