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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Protestos no Irã chegam a 30 dias com ao menos 6.126 mortos e quase 42 mil presos, aponta organização

HRANA diz que repressão inclui confissões forçadas, detenções de feridos e bloqueios de internet; número real de mortes pode ultrapassar 17 mil
Vicklin Moraes - SBT
Manifestantes durante protesto no Irã | Tasnim/Divulgação via Reuters
Pelo menos 6.126 pessoas morreram em meio aos protestos que se espalham pelo Irã, segundo levantamento divulgado na noite desta segunda (26) pela HRANA (Human Rights Activists News Agency), organização que monitora violações de direitos humanos no país. As manifestações continuam sob interrupções recorrentes de internet e restrições severas à comunicação, impostas pelas autoridades iranianas.

Segundo a entidade, os dados acumulados até o 30º dia de protestos indicam 41.880 prisões, além de 11.009 pessoas gravemente feridas. O levantamento também aponta a transmissão de 245 confissões forçadas em meios oficiais e a convocação de 11.024 pessoas por agências de inteligência e segurança. Ao todo, foram registrados 651 protestos em 200 cidades, abrangendo todas as 31 províncias do país.

A HRANA afirma ainda que 17.091 mortes permanecem sob investigação. Segundo relatos reunidos pela organização, manifestantes feridos continuam sendo detidos, inclusive durante atendimentos médicos, enquanto os bloqueios de internet persistem, dificultando a verificação independente das informações, o trabalho de jornalistas e a mobilização popular.

Os números divulgados nesta segunda foram compilados pela Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, que tem se mostrado precisa em ondas anteriores de protestos no Irã. Segundo a organização, cada morte é verificada individualmente por meio de uma rede de ativistas que atua no território iraniano, apesar das restrições impostas pelo governo.

Em contraste, o governo iraniano reconhece um número bem menor de vítimas. As autoridades afirmam que 3.117 pessoas morreram, sendo 2.427 civis e integrantes das forças de segurança, enquanto o restante foi classificado oficialmente como “terroristas", versão contestada por organizações de direitos humanos.

O relatório da HRANA identifica entre os mortos ao menos 5.777 manifestantes, além de 214 membros das forças governamentais, 86 crianças menores de 18 anos e 49 civis que não participavam diretamente dos protestos. A repressão também atingiu o meio estudantil, com 62 estudantes presos, segundo a organização.

As manifestações tiveram início no fim de dezembro de 2025, impulsionadas pela grave crise econômica enfrentada pelo país, marcada por inflação elevada, desvalorização da moeda nacional e alta nos preços de bens essenciais. Com o avanço da repressão, os protestos passaram a incorporar críticas políticas mais amplas ao governo iraniano.

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