Trabalhadores rurais das lavouras de café, organizados pela Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (ADERE/MG), realizaram na manhã desta segunda-feira (26) um ato em uma unidade da Starbucks localizada na altura do número 500 da Avenida Paulista, na cidade de São Paulo. O protesto denuncia casos de trabalho análogo à escravidão e graves violações de direitos humanos e trabalhistas na cadeia produtiva do café do Brasil, especialmente no Sul de Minas Gerais, região estratégica no fornecimento de grãos para marcas globais. Band / SB Noticias / Sinthoresp / Busian Comunicação
Além de denunciar irregularidades na cadeia do café, a ação também lembra a Chacina de Unaí, que ocorreu em 28 de janeiro de 2004, na zona rural da cidade de Unaí, Minas Gerais, em que três auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados no momento em que iam fiscalizar uma denúncia de trabalho em condições análogas à escravidão numa fazenda.
Segundo a ADERE/MG, uma grande maioria dos trabalhadores da colheita seguem enfrentando a informalidade, endividamento, falta de equipamentos de proteção, banheiros e alojamentos precários e desumanos, além de condições degradantes de trabalho em fazendas que abastecem grandes empresas do setor. O ato conta com a participação de trabalhadores rurais, além de apoio de entidades sindicais paulistas como a União Geral de Trabalhadores (UGT), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Sinthoresp (sindicato de trabalhadores e bares, restaurantes e hotéis da capital) e Femaco (federação que representa trabalhadores terceirizados da limpeza no estado), que somam forças na denúncia das violações. Também participam outros trabalhadores e trabalhadoras de outros setores, reforçando que a exploração laboral e o trabalho escravo atravessa diferentes cadeias e públicos vulneráveis.
No ato, o presidente da UGT e dos Comerciários, Ricardo Patah, defendeu responsabilidade de toda a cadeia produtiva. “É preciso que empresas como a Starbucks assumam responsabilidade pelo que acontece nas plantações, e que as autoridades brasileiras investiguem as denúncias. As entidades sindicais seguirão atuando para que essa responsabilidade seja compartilhada e não recaia apenas sobre os trabalhadores”, declarou.
O vice-presidente do Sinthoresp, Rubens Fernandes da Silva, reforçou a necessidade de responsabilidade no consumo. "Quando uma cadeia produtiva se sustenta sobre trabalho análogo à escravidão, isso não é um problema distante, é um problema de todos nós. Denúncias graves como essas devem ser apuradas com rigor pelos órgãos competentes, com fiscalização efetiva e transparência. O fortalecimento das instituições de fiscalização e o respeito aos direitos humanos, seja no campo ou na cidade, garante segurança jurídica e dignidade para quem vive do próprio trabalho”, enfatizou.
As organizações presentes defendem maior transparência na cadeia do café "do campo à xícara", fortalecimento da fiscalização trabalhista parte do Ministério do Trabalho e do Ministério Publico do trabalho, reparação às vítimas de trabalho escravo e revisão dos sistemas de certificação, para que deixem de legitimar cadeias produtivas marcadas pela exploração, além de responsabilização das empresas globais controladoras da cadeia produtiva do café que, de acordo com denúncias de entidades do trabalho, são os que mais lucram com as violações de direitos dos trabalhadores, como é o caso da Starbucks e outras empresas globais. Fotos por Rafael Torres. Clique AQUI para ver todas as imagens
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