Resultado do ENAMED 2025 revela que um em cada três cursos apresentou desempenho insatisfatório.

Garantir médicos cada vez mais preparados é um dos grandes desafios do sistema de saúde brasileiro — e os dados mais recentes da ENAMED 2025 reforçam essa urgência. A avaliação dos 351 cursos de Medicina em todo o país revelou que aproximadamente um em cada três apresentou desempenho considerado insatisfatório. Ao todo, 99 cursos (32%) tiveram menos de 60% dos estudantes com proficiência adequada.
Esses números colocam em evidência um ponto crucial: falhas na formação desde a graduação podem comprometer diretamente a segurança do paciente, a eficácia dos tratamentos e a confiança no sistema de saúde, reforçando que a educação médica deve ir além do domínio técnico e incorporar comunicação eficaz, empatia e práticas de cuidado centradas no paciente.
Direitos do Paciente - Embora a saúde seja um direito fundamental garantido pela Lei nº 8.080/1990 — que assegura atendimento digno, humanizado, seguro e com acesso à informação — a realidade enfrentada por grande parte da população, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde suplementar, tem se mostrado cada vez mais desafiadora. Os números refletem um sistema sobrecarregado e, muitas vezes, distante da centralidade no paciente.
Em um modelo focado em metas e resultados financeiros, o Brasil ainda carece de uma lei nacional específica de direitos do paciente e de políticas públicas que coloquem o cidadão no centro do cuidado. “Na prática, muitos pacientes relatam atendimentos rápidos, pouco humanizados e sem espaço para escuta ativa. Em poucos minutos, a consulta termina com uma prescrição, sem diálogo, acolhimento ou esclarecimento adequado”, explica a advogada Aline Albuquerque, doutora com pós-graduação em Direitos Humanos e Direito à Saúde pelas universidades Essex (Inglaterra) e Emory (USA).









































