Entenda riscos, benefícios e quando a TRH é indicada com segurança, segundo especialistas
Foto: Reprodução / Freepik
A terapia de reposição hormonal (TRH) é uma das principais alternativas para aliviar sintomas da menopausa, que incluem ondas de calor, insônia, oscilações de humor e ressecamento vaginal. Embora traga melhorias relevantes na qualidade de vida, a relação entre TRH e câncer de mama ainda suscita dúvidas.
De acordo com o INCA, o câncer de mama é o tipo mais frequente entre mulheres no Brasil, com estimativa de 74 mil novos casos/ano (2023–2025). Fatores hormonais influem no risco.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) aponta que o uso combinado de estrógeno e progesterona, por tempo prolongado, pode elevar discretamente a probabilidade da doença, algo que não se aplica da mesma forma ao uso exclusivo de estrógeno (indicado para quem já retirou o útero).
Avaliação caso a caso
Para o ginecologista Dr. Jorge Valente, pós-graduado em medicina ortomolecular e longevidade, com 26 anos de atuação em ginecologia endócrina, personalização é palavra-chave:
“O risco existe, mas não é igual para todas as mulheres. A reposição deve ser personalizada, com acompanhamento próximo e baseada em evidências. Generalizar que toda terapia hormonal causa câncer de mama é um equívoco que priva muitas pacientes de um tratamento útil”.
Entidades como a North American Menopause Society (NAMS) e a FIGO reforçam: quando bem indicada, sobretudo nas primeiras fases da menopausa e sem contraindicações, a TRH pode ser segura e eficaz.
Mitos e verdades
– “Toda reposição hormonal causa câncer de mama”.
Mito. O risco varia conforme tipo de terapia, duração e perfil clínico. Estrógeno isolado não se comporta como a terapia combinada.
– “Uso prolongado de TRH combinada aumenta o risco”.
Verdade. Exposição contínua a estrógeno + progesterona, sobretudo >5 anos, pode elevar o risco.
– “Histórico familiar impede a reposição”.