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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Preço da arroba do cacau segue em queda livre e amplia crise aos produtores

Foto: Reprodução
O preço da arroba do cacau segue em queda na Bahia e já acende sinal de alerta entre produtores, especialmente na região sul do estado, principal polo cacaueiro do país. Na última sexta-feira (20), o valor fechou abaixo de R$ 150,00, aprofundando o cenário de preocupação no campo. De acordo com cacauicultores, a tendência é de continuidade no movimento de baixa nas próximas semanas, o que tem gerado incerteza quanto à rentabilidade da safra e à sustentabilidade da atividade.  Por Giro Ipiaú 

Importações no centro das críticas
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Produtores atribuem a queda expressiva, principalmente, ao aumento da importação de cacau africano por empresas multinacionais do setor. Segundo relatos do segmento, somente neste ano já teriam chegado ao Brasil cerca de três navios carregados com amêndoas oriundas da África. Os agricultores alegam que, além de pressionar os preços internos, o produto importado é considerado de qualidade inferior, o que também impactaria a valorização do cacau nacional no mercado.

Outro fator que agrava a situação são os chamados deságios — descontos aplicados pelas compradoras sobre o preço de referência da arroba, geralmente justificados por critérios de qualidade, umidade ou padrão do lote. Na prática, esses abatimentos reduzem ainda mais o valor final recebido pelo produtor, ampliando as perdas em um momento já marcado por forte desvalorização.

Do auge histórico à forte desvalorização
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O cenário atual contrasta com o vivido recentemente pelo setor. Em 2024, a arroba do cacau atingiu seu ápice histórico, chegando a cerca de R$ 1.100,00, impulsionada pela escassez global do produto. Já em 2025, os preços recuaram, mas ainda se mantiveram em patamares considerados elevados, oscilando por alguns meses entre R$ 800,00 e R$ 900,00. A queda acentuada registrada em 2026, portanto, representa uma mudança brusca no mercado e tem preocupado toda a cadeia produtiva.

Protestos e mobilizações
Protesto na BR-101, em Itamarati
Diante do cenário, produtores do sul da Bahia organizam um novo protesto para o próximo 27 de fevereiro, na cidade de Ilhéus. Esta será a segunda mobilização realizada no município apenas neste ano. Além dos atos urbanos, cacauicultores também têm promovido manifestações com bloqueios de rodovias, cobrando do governo federal medidas de intervenção, especialmente na política de importação do cacau africano. O setor defende a adoção de mecanismos de proteção ao produto nacional, argumentando que a concorrência externa, aliada à queda dos preços, ameaça a economia regional e a manutenção de milhares de empregos ligados à cacauicultura. 

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