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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Entenda as mudanças na pele durante a menopausa

A médica Isabel Martinez explica o que a ciência mais recente diz que você pode fazer a respeito
Você está na menopausa e tem aquela sensação de que o creme que funcionava há dois anos parou de funcionar? De que a pele parece papel? De que o rosto está mais flácido do que deveria para sua idade? Não é impressão. E não é "da idade".

A médica Isabel Martinez explica que o estrogênio — aquele hormônio que a gente associa com menstruação e fertilidade — é, na verdade, o grande arquiteto da pele feminina.

"Ele está em todo lugar: nas células que fabricam colágeno, nas que formam a barreira protetora, nas que produzem a oleosidade natural, até nos vasinhos que nutrem a pele por dentro. Quando o estrogênio cai, tudo cai junto. E cai rápido"

De acordo com Dra. Isabel, uma das descobertas mais impactantes da dermatologia é esta: nos primeiros cinco anos de menopausa, a pele pode perder até 30% do seu colágeno total.

"Não em décadas. Em cinco anos. E esse número não depende da sua idade — depende de quanto tempo faz que a menopausa começou. Uma mulher de 42 com menopausa precoce pode ter a mesma perda de colágeno que uma de 58.

É por isso que a menopausa não é "envelhecimento". É uma transição. O corpo todo muda de regime — e a pele é o primeiro lugar onde isso aparece. Na prática, o que acontece é um efeito dominó: a pele fica mais fina (menos colágeno), mais seca (menos oleosidade natural e menos ácido hialurônico), mais sensível (a barreira enfraquece), mais flácida (as fibras elásticas se desorganizam) e cicatriza mais devagar (porque o fluxo sanguíneo na derme diminui). Tudo ao mesmo tempo".

• • •As "células-zumbi" que ninguém te contou
Em 2025, pesquisadores da Mayo Clinic e da Charité de Berlim publicaram uma revisão mostrando que existe outro vilão no envelhecimento da pele — além do sol, além do tempo, além dos hormônios. São as células senescentes.

"Toda célula do seu corpo tem um ciclo de vida. Nasce, trabalha, morre, é substituída. As células senescentes são as que pararam de trabalhar, mas não morrem. Ficam ali, ocupando espaço, e — pior — soltando substâncias inflamatórias que danificam as células vizinhas. É como um colega de trabalho que desistiu, mas fica na sala de reunião atrapalhando todo mundo";

De acordo com Dra. Isabel, os cientistas chamam essas substâncias de SASP — um perfil inflamatório que degrada o colágeno, gera estresse oxidativo e recruta mais inflamação.

"Um ciclo que se retroalimenta. E aqui entra a menopausa: o estrogênio tinha um papel protetor contra o acúmulo dessas células. Sem ele, a pele acumula "zumbis celulares" mais rápido"

A médica esclarece que ciência já está desenvolvendo substâncias que eliminam essas células (os senolíticos) ou que silenciam suas emissões inflamatórias (os senomórficos). Algumas delas são naturais — como a fisetina, encontrada em morangos e maçãs, e a apigenina, do chá de camomila. "Ainda estamos no estágio de pesquisa, mas o conceito é poderoso: não basta repor o que se perdeu. É preciso limpar o que está inflamando".

• • •Sua pele tem um ecossistema. E ele também muda na menopausa
Você provavelmente já ouviu falar em microbioma intestinal — as bactérias que vivem no nosso intestino e influenciam tudo, de imunidade a humor. O que é menos conhecido: a pele também tem o seu próprio ecossistema de microrganismos. E ele muda com a menopausa.

Um estudo publicado recentemente mostrou que mulheres pós-menopausa têm significativamente menos Lactobacillus na superfície da pele facial — o mesmo fenômeno que acontece na mucosa vaginal. O mais interessante: os pesquisadores concluíram que o status menopausal é um indicador melhor do que a idade cronológica para prever o perfil microbiano da pele.

"O que isso significa na prática? Que tratar a pele na menopausa sem considerar o seu ecossistema microbiano é tratar metade do problema. Produtos muito agressivos, com excesso de ingredientes antibacterianos, podem estar piorando a situação. O futuro da dermatologia menopausal passa por cuidar também das bactérias boas", destaca Martinez.

• • •"Por que minha pele ficou tão seca?"
Dra. Isabel conta que essa é a queixa número um no consultório. E a resposta não é "use mais hidratante". Ela afirma que a pele seca da menopausa é diferente da pele seca de quem não bebe água ou usa sabonete errado. É fisiopatológica — tem múltiplas causas simultâneas:

"O ácido hialurônico — que é a principal "esponja" de água da pele — diminui porque o estrogênio era quem mandava produzi-lo. As glândulas sebáceas produzem menos óleo, então aquele manto protetor natural que impedia a água de evaporar fica insuficiente. A epiderme fica mais fina e menos eficiente como barreira. E, como acabamos de ver, o microbioma se desorganiza, reduzindo espécies que ajudavam a manter a acidez e a hidratação da superfície".

Não é uma causa. São quatro. Ao mesmo tempo.
A médica esclarece que o tratamento inteligente trabalha em camadas: primeiro, reconstruir a barreira (emolientes com ceramidas, óleos vegetais que imitam os lipídios naturais da pele, limpeza suave com pH 5,0-5,5). Depois, reter a água que já está ali (ácido hialurônico tópico, glicerina, ureia). E, quando possível, tratar a causa — que é hormonal.

O que realmente funciona?
Dra. Isabel Martinez explica que é preciso honestidade para responder o que realmente funciona, porque existe o que é popular, o que é promissor e o que tem ciência de verdade. Ela elencou os três.

O que já tem evidência forte:
Retinoides (tretinoína, retinol) continuam sendo o padrão-ouro para estimular colágeno novo. O problema? A pele na menopausa muitas vezes não tolera. Está mais fina, mais seca, com a barreira fragilizada. É preciso começar devagar, com concentrações mínimas e muito suporte de hidratação.

Vitamina C é mais do que antioxidante — é literalmente a matéria-prima que o corpo precisa para fabricar colágeno. Sem vitamina C, a enzima que monta as fibras de colágeno não funciona. Para pele sensibilizada, prefira versões estabilizadas (menos irritantes que o ácido puro).

Niacinamida (vitamina B3) é talvez o ativo mais versátil e gentil para a pele madura. Ela faz algo essencial: ensina a pele a produzir mais ceramidas — que são os "tijolos" da barreira cutânea. Quando a barreira funciona, tudo melhora: hidratação, sensibilidade, inflamação. Funciona bem em concentrações de 2 a 5%.

Ácido hialurônico tópico em diferentes tamanhos de molécula. O grande forma um filme protetor. O pequeno penetra e hidrata mais fundo. Os dois juntos funcionam melhor do que qualquer um sozinho.

Colágeno hidrolisado oral (2,5 a 10 gramas por dia). Não é modismo. Uma meta-análise — que é o nível mais alto de evidência científica — mostrou melhora consistente em hidratação, elasticidade e firmeza da pele. Os peptídeos não viram colágeno direto: eles funcionam como mensageiros que dizem aos fibroblastos "produza mais". A combinação com vitamina C potencializa o efeito.

O que é promissor (mas precisa de mais pesquisa):
Bakuchiol — chamado de "retinol botânico". Um estudo publicado no British Journal of Dermatology mostrou que ele melhora rugas e pigmentação tanto quanto o retinol, mas sem a irritação. Para quem não tolera retinoides, é a melhor alternativa que temos hoje. E tem um bônus: ele também age como fitoestrógeno, ativando receptores de estrogênio na pele. Mas atenção: a maioria dos estudos usou formulações combinadas — ainda precisamos de mais pesquisa com bakuchiol isolado.

Fitoestrógenos tópicos (como a genisteína da soja). Estudos brasileiros, da UNIFESP, mostraram que um gel de genisteína aplicado por 24 semanas aumentou colágeno e ácido hialurônico na pele de mulheres pós-menopausa. Não é tão potente quanto o estrogênio tópico, mas funciona — e sem efeito sistêmico.

O que está chegando (mas ainda não é hora de usar):
Segundo a médica, os senolíticos e senomórficos são substâncias que eliminam ou silenciam as células-zumbi. Mas eles estão em fase de ensaios clínicos. "Os pré e pós-bióticos específicos para o microbioma da pele madura. Tudo isso é ciência em movimento. Vale acompanhar. Mas não vale se medicar com base nisso — ainda"

Dra. Isabel Martinez (CRM-SP 115398 | Coren-SP 89562) Médica com mais de 20 anos de atuação em saúde feminina. Com passagens por Harvard e University of Chicago. Fundadora da CLIMEX Academy e criadora do conceito Climex®️. Palestrante no IMCAS World Congress 2026 (Paris). Entrou na menopausa aos 38 anos — e fez disso ciência. CEO | Climex®️ | Clínica Martinez®️ Procure sempre seu médico de confiança. Siga @draisabelmartinez

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