De 2005 até hoje, é também verdade que seu dedo jamais endureceu, como diz seu advogado Arnaldo Malheiros. Mas seu papel no julgamento do mensalão não será exatamente aquele que muitos imaginam. A senha foi dada por Malheiros, em entrevista ao jornal “O Globo”, na qual fica claro que Delúbio não pretende assumir, sozinho, todas as responsabilidades. “Ninguém do partido poderia decidir isso sozinho”, diz o advogado, referindo-se à obtenção de recursos com Marcos Valério de Souza para quitar dívidas de campanha. “Todas as decisões eram do colegiado, da Executiva. Nem sei se José Dirceu era da Executiva naquela época. Acho que, como ministro, se licenciou do partido. Mas Genoíno era o presidente. Delúbio não tomava decisões. Era o executor das decisões da Executiva Nacional do PT.”
Essa linha de defesa confronta a de José Genoíno, que afirma que Delúbio tinha autonomia para tratar de todos os temas financeiros. José Dirceu, por sua vez, afirma que, como ministro da Casa Civil, não tratava mais de assuntos relacionados ao PT.
No partido, o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh tem sido um crítico da falta de articulação entre as defesas dos vários réus do mensalão – o que pode contribuir para a condenação geral. O correto, na sua visão, seria que, num discurso coerente, todos negassem a existência do mensalão, como compra de votos de parlamentares, e assumissem aquilo que já foi admitido publicamente: o caixa dois eleitoral, que é prática comum na política brasileira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário