Por Edu Mota, de Brasília / BN

Com destaque principalmente para a atuação da juventude e à disposição dos idosos em participar do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 51,78% dos votos, fez seu primeiro discurso na noite deste domingo (25), após sua vitória contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Além de agradecer aos jovens e aos mais velhos, Lula disse destacou o fato de o Brasil ter registrado a menor abstenção de sua história. A taxa de ausentes neste domingo foi de 19,11%, quase três pontos percentuais a menos do que foi verificado no primeiro turno, em 4 de outubro.
“Queria agradecer ao povo brasileiro pela generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, nesse segundo turno, agradecer à generosidade da juventude brasileira, que foi para a rua defender a democracia”, declarou Lula.
“Quero também agradecer aos idosos, vi muitas pessoas sendo carregadas pelos netos para votarem”, completou o presidente.
Ao lado do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, da primeira-dama Janja e do deputado federal André Janones (Rede-MG), o presidente eleito fez críticas ao seu adversário, Flávio Bolsonaro. Lula classificou o resultado das urnas deste domingo como uma derrota do negacionismo e da mentira.
“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira, e eu confesso que cada vez que ia ao debate, ficava constrangido”, disse o presidente. Em seguida, afirmou nunca ter imaginado enfrentar alguém que, segundo ele, mentisse tanto em uma disputa eleitoral.
Ainda sobre a disputa eleitoral, Lula tentou apaziguar o clima de guerra da campanha e afirmou que vai governar para todos.
"Não tenho mais adversários. Tenho que governar para 215 milhões", afirmou Lula.
Outra crítica do presidente Lula em seu discurso foi direcionada às big techs. Para Lula, as plataformas digitais tentaram interferir indevidamente na campanha eleitoral.
"Tivemos que vencer a intromissão de fora para dentro, através de plataformas digitais que nós vamos ter que regular. Não é possível que o crime digital não tenha que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas, grandes, faturando milhões e milhões e não pagando impostos para esse país, querendo direcionar as eleições deste país", colocou.
Ainda durante seu discurso de vitória, o presidente reeleito exaltou a atuação do deputado federal André Janones (Avante-MG) na mobilização da militância e antecipou que a presença digital será pilar central do mandato. Janones comandou no segundo turno o grupo Exército do Lula, que chegou a quase 11 milhões de inscritos, enquanto canal parecido da campanha de Flávio Bolsonaro tinha apenas dois milhões de seguidores.
"Quero agradecer a esse companheiro aqui, o Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha, para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa. Essas eleições me ensinaram muitas lições. Posso garantir a vocês que vamos mudar o jeito de governar este país. Quero dizer que vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões e quero dizer que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo. Eu, inclusive, já ganhei um celular do comandante Rafael [Fonteles], governador do Piauí, já estou aprendendo a conversar com meu general, e pode ficar certo que daqui para frente eu conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia", discursou o petista.
Foi ressaltada ainda uma nova postura na comunicação do governo, para eliminar intermediários no diálogo com a população e combater narrativas distorcidas sobre suas ações administrativas.
"Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Vou dizer o que eu penso e o que eu faço. Nessas eleições, uma das coisas que mais me motivou foi a gente não permitir que essa gente ganhasse para privatizar o nosso SUS", enfatizou Lula.
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