Ministério da Saúde diz que está substituindo o papanicolau pelo teste DNA-HPV, que é mais preciso

“Isso era em 1980. Nós estamos em 2026. Nada mudou. Essa é a verdade.” A oncologista Mônica Bandeira trabalha no tratamento ao câncer de colo do útero, em Manaus, há 46 anos. Para ela, apesar de alguns avanços pontuais, o Brasil não conseguiu dobrar a curva da doença, que é a considerada quase 100% prevenível com a vacina contra o HPV (papilomavírus humano).
No país, o câncer do colo do útero matou quase 20 mulheres por dia em 2025, com 7.249 óbitos no ano, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde. Para o triênio 2026-2028, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 19.310 casos novos por ano, número superior ao triênio anterior (2023–2025), quando a estimativa era de 17.000.
“A gente está num platô”, diz Eduardo Cândido, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). “Não conseguimos diminuir a incidência.”
Para especialistas ouvidos pela Folha, o problema central está no diagnóstico tardio por falha no rastreamento. Pesquisa do grupo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e publicada em 2022 no International Journal of Gynecological Cancer mostrou que cerca de dois terços dos cânceres ginecológicos no Brasil são diagnosticados em estágios avançados.
Doença não atinge o país de forma uniforme
Segundo a estimativa do Inca para o triênio 2026-2028, nas regiões Norte e Nordeste, o câncer do colo do útero ocupa a segunda posição entre os tipos mais incidentes em mulheres, atrás apenas do câncer de mama. A taxa de incidência no Norte é de 22,79 casos por 100 mil mulheres, quase o dobro do Sudeste, de 14,06. No Amazonas, chega a 28,57, a mais alta do país.










































