Levantamento revela protagonismo feminino, mas expõe desafios como baixa renda, sobrecarga e falta de apoio na gestão

O empreendedorismo tem se firmado como principal fonte de renda para mães na Bahia. De acordo com a 3ª edição da pesquisa “Maternidade e Negócios – A força das mães empreendedoras baianas”, realizada pelo Sebrae, 57% das entrevistadas dependem exclusivamente do próprio negócio para sustentar a família.
O estudo, realizado com 475 mães empreendedoras entre fevereiro de 2026, aponta que a maioria desse público é formada por mulheres negras (74%), com atuação predominante nos setores de serviços (52%) e comércio (34%). Entre os principais motivadores para empreender estão o desejo de trabalhar com o que gostam e realizar sonhos (30%), além da busca por flexibilidade para conciliar trabalho e maternidade.
Apesar do protagonismo econômico, os dados revelam um cenário de dificuldades. Cerca de 41% das mães têm renda de até dois salários mínimos. Entre os principais desafios estão o acesso a assessorias especializadas (53%), a gestão financeira (35%) e a carga tributária (29%).
A sobrecarga também se destaca: apenas 39% das entrevistadas afirmam contar com apoio do parceiro nos cuidados com a casa e os filhos, o que leva muitas a acumularem responsabilidades domésticas e profissionais. Além disso, 59% não participam de redes de apoio ao empreendedorismo feminino, o que pode limitar oportunidades de crescimento.
Outro ponto crítico é o preconceito: 46% das mães afirmam já ter enfrentado discriminação por serem mulheres empreendedoras.
A trajetória da empreendedora Jô Lima exemplifica essa realidade. Moradora de Salvador, ela iniciou o negócio na casa da mãe, no bairro de Jardim Cruzeiro, com o objetivo inicial de juntar dinheiro para casar. “Eu comecei com o que eu tinha”, relembra.
Conciliando a atuação como pedagoga e os estudos, Jô atendia clientes à noite após se capacitar em alongamento capilar. Em 2012, formalizou a empresa e passou a depender integralmente da atividade. “Ali eu entendi que era dali que vinha o meu sustento.”
Com a chegada dos filhos, enfrentou dificuldades para manter o negócio. “Eu fiquei dias sem atender e vi minha empresa parar.” Em um momento crítico, retomou o trabalho poucos dias após o parto. “Eu precisava daquele dinheiro. Desci com meu filho recém-nascido para atender.”
A virada veio após buscar apoio no Sebrae, onde teve acesso a capacitações em gestão. Hoje, lidera o projeto Jô Lima Academy e também atua na formação de outras mulheres. “Eu me considero bem-sucedida pelo que construí e pelo que posso oferecer a eles”, afirma. Para outras mães, deixa um conselho: “Não espere o momento perfeito. Comece com o que você tem e não desista.”
Para a gestora estadual do programa Sebrae Delas, Valquíria de Pádua, o levantamento evidencia a necessidade de políticas de apoio. “Além de mostrar que, para muitas mães baianas, o próprio negócio é o que garante o sustento da família, o estudo indica que elas empreendem com pouca renda, pouco apoio e acumulando muitas responsabilidades. É nesse contexto que iniciativas como o Sebrae Delas se tornam ainda mais relevantes, ao oferecer capacitação, orientação e rede de apoio para fortalecer esses negócios e ampliar as oportunidades de crescimento”, afirma.
A pesquisa tem margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%.
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