Estudo mostra que mulheres gastam 10 horas a mais por semana do que os homens em afazeres domésticos
Ellen Travassos / SBT News

Em 2022, pessoal ocupado assalariado era composto por 54,7% de homens e 45,3% de mulheres
Reprodução/Unsplash
Um estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) neste sábado (8), Dia Internacional da Mulher, revela que as mulheres em cargos de liderança no Brasil ganham, em média, 33% a menos que os homens ocupando as mesmas funções.
A pesquisa, que analisou dados do terceiro trimestre de 2024, aponta que, enquanto diretoras e gerentes mulheres recebiam R$6.798 mensais, os homens no mesmo cargo ganhavam R$ 10.126, diferença de R$ 3.328 ao mês, que, em um ano, equivale a R$ 40 mil a menos para as mulheres.
Conforme o Dieese, essa média representa todas as empresas do Brasil, de grandes e pequenas cidades, e gerentes e diretores de todo tipo de estabelecimento, não apenas de grandes empresas e multinacionais.
A desigualdade salarial entre gêneros é ainda mais acentuada quando considerada a interseccionalidade de raça. Mulheres negras com ensino superior completo ganham, em média, R$3.964, enquanto homens não-negros com o mesmo nível de formação recebem R$8.849, uma diferença de R$ 4.885 mensais. Isso significa que as mulheres negras ganham menos da metade do salário dos homens não negros em posições equivalentes.
O estudo também destaca que, embora as mulheres representem 43% da força de trabalho ocupada no Brasil, elas são maioria entre os 10% com os menores rendimentos (55%) e minoria entre os 10% mais bem pagos (34%). No topo da pirâmide salarial, apenas 22% dos 1% mais bem remunerados são mulheres, e entre os 0,1% mais ricos, essa proporção cai para 11%.
Dupla jornada e sobrecarga de trabalho doméstico
Além da disparidade salarial, as mulheres enfrentam uma sobrecarga de trabalho não remunerado. Em média, elas dedicam 21,3 horas por semana a afazeres domésticos, enquanto os homens gastam 11,7 horas. Isso significa que, ao longo de um ano, as mulheres trabalham 499 horas a mais que os homens em tarefas domésticas, o equivalente a 21 dias a mais de trabalho não remunerado.


























