* Por Juciano Massacani

No âmbito público, vemos uma evolução nesse tema a partir da adequação da NR-01 (Norma Regulamentadora nº 1). A atualização que aconteceu em agosto de 2024 por meio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), passou a incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Isso significa que fatores como pressão excessiva, assédio, carga de trabalho desproporcional e outros aspectos que afetam o bem-estar emocional dos colaboradores precisam ser identificados e gerenciados. Ou seja, agora os cuidados com a saúde mental são obrigatórios nas organizações.
A partir de 1ª de maio, a aplicação dessa exigência deve impactar empresas de qualquer segmento e tamanho, que estão agora em um momento de adaptação de seus processos e rotina de trabalho para garantir um ambiente saudável a todos os colaboradores, além de evitar multas que podem ir de R$ 1.201,36 a R$ 5.245,00. Por isso, um primeiro passo é promover treinamentos para líderes e gestores a fim de capacitá-los não apenas a identificar sinais de sobrecarga emocional e estresse, mas também a desenvolver habilidades para intervir de forma proativa em situações de assédio moral, discriminação e outros fatores psicossociais prejudiciais. Essas ações devem ir além do simples reconhecimento dos problemas, promovendo uma cultura organizacional que incentive o apoio emocional e o diálogo aberto.
Outra iniciativa que pode ser implementada neste primeiro momento, é a criação de canais de comunicação eficazes, como uma ouvidoria. Essa atitude é essencial para que o time se sinta seguro para relatar situações de estresse ou conflitos sem receio de represálias. Implementar programas de bem-estar, como pausas para descanso, atividades físicas, práticas de mindfulness e até mesmo flexibilidade no horário de trabalho, são ações que também contribuem diretamente para a prevenção de desconfortos relacionados à saúde mental. Por fim, a revisão de metas e a definição de limites claros, que ajudam a evitar a sobrecarga de tarefas e a pressão excessiva sobre a equipe, são imprescindíveis.
Este é o momento das empresas entenderem que a gestão da saúde mental vai muito além do cumprimento de uma exigência legal. Deve ser vista como uma oportunidade estratégica para melhorar o ambiente corporativo, aumentar a satisfação dos colaboradores e, consequentemente, impulsionar os resultados da organização. O impacto positivo dessa abordagem é grande, tanto para os profissionais que se sentem valorizados quanto para a organização, que se destaca no mercado pela responsabilidade e cuidado com o bem-estar. O ganho é uma via de mão dupla, e as empresas precisam estar preparadas.
Formado em Engenharia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Juciano Massacani é fundador e CEO da GraalSeg, referência em Segurança e Medicina do Trabalho. Com uma atuação de 24 anos no segmento, o executivo tem expertise na área de consultoria especializada a empresas de diversos segmentos.
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