Governo norte-americano deve deportar mais de 350 mil haitianos após fim da proteção temporária contra expulsão do país
Agência EFE / sbt
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | REUTERS/Evelyn Hockstein

A proteção contra a deportação dos haitianos expirou após uma decisão do tribunal federal de apelações na última semana, que adiou até esta segunda-feira o fim do TPS, como consequência do parecer da Suprema Corte que, em 25 de junho, permitiu ao governo americano revogar a licença.
Neste contexto, congressistas republicanos comemoraram hoje os relatos da imprensa sobre uma operação do Departamento de Segurança Nacional (DHS) que começaria em Ohio, onde Trump difundiu na campanha presidencial de 2024 a ideia falsa de que os haitianos estavam comendo os animais de estimação das pessoas.
"O que vai acontecer em Ohio é que vão começar a tirar os haitianos de Ohio", declarou o congressista federal Michael Rulli, republicano desse estado, em entrevista à rede de televisão "Fox News".
Embora as primeiras operações se concentrem em Ohio, onde se calcula que existam cerca de 14 mil haitianos com TPS, a maior preocupação está na Flórida, onde vive quase metade da população afetada - cerca de 158 mil pessoas -, segundo dados da ONG FWD.us.
A congressista democrata Debbie Wasserman Schultz, que representa um distrito na Flórida, denunciou que o DHS planeja deter cerca de 2.000 haitianos por dia para deportá-los ao Haiti.
"Vai ser um esforço enorme deportar os 350 mil. E sei que separar os haitianos de seus empregos e de seus filhos cidadãos vai ser a prioridade do governo. Essa é uma situação inaceitável e é algo que não deveríamos aceitar", declarou a legisladora.
A deportação dos haitianos afetaria setores onde trabalham cerca de 200 mil deles, como hospitais, asilos, restaurantes e hotéis, pois a FWD.us estima que eles contribuem com US$ 5,9 bilhões para a economia a cada ano, sendo a maior contribuição de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,69 bilhões) em Miami.
O DHS argumentou que "a situação ambiental no Haiti melhorou o suficiente" desde que os EUA concederam o TPS em 2010 após um terremoto, mas ativistas apontam que o país está em crise, com quase 6.000 assassinatos em 2025 e sem um presidente eleito desde o assassinato de Jovenel Moïse em 2021.
Além disso, as deportações implicariam que cerca de 50 mil crianças cidadãs americanas percam pelo menos um de seus pais, segundo dados da FWD.us.
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