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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Dois novos casos de remissão do HIV renovam esperança, mas especialistas alertam: ainda não é possível falar em cura

Pacientes permanecem há mais de um ano sem medicamentos e sem vírus detectável após transplantes de células-tronco. Avanço amplia para 13 os casos de remissão registrados no mundo, mas pesquisadores afirmam que estratégia não pode ser aplicada à população em geral.

A ciência acaba de dar mais um passo importante na longa busca pela cura do HIV. Pesquisadores anunciaram nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão sustentada do vírus após a interrupção do tratamento antirretroviral. Com isso, chega a 13 o número de pessoas que conseguiram permanecer sem medicamentos e sem sinais detectáveis do HIV após transplantes de células-tronco.

O anúncio representa mais um marco na história da pesquisa sobre o HIV. Ao mesmo tempo, especialistas fazem um alerta importante: embora os resultados sejam altamente promissores, ainda não significam que exista uma cura disponível para milhões de pessoas que vivem com o vírus.

Os dois pacientes seguem sem carga viral detectável há 14 e 12 meses, respectivamente, depois de interromperem os antirretrovirais. Ambos haviam sido submetidos a transplantes de células-tronco para tratar doenças hematológicas graves — e não o HIV — utilizando doadores portadores de uma rara mutação genética conhecida como CCR5-delta32, capaz de impedir que as formas mais comuns do vírus entrem nas células do sistema imunológico.

O primeiro caso, conhecido como Paciente de Kansas City, recebeu o diagnóstico de HIV e de uma forma agressiva de leucemia em 2018. Após o transplante realizado em 2020, os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025. Quatorze meses depois, exames continuam sem detectar o vírus ou células capazes de reiniciar a infecção.

O segundo paciente apresentava uma condição ainda mais complexa. Além do HIV, convivia com hepatite B e possuía variantes virais capazes de utilizar diferentes portas de entrada nas células humanas. Mesmo assim, um ano após a suspensão da terapia antirretroviral, pesquisadores não encontraram vírus com capacidade de se multiplicar nem material genético completo do HIV em amostras do intestino — um dos principais reservatórios do vírus no organismo. A única exceção foi o retorno da replicação da hepatite B poucos dias após a interrupção dos medicamentos, já que parte do tratamento também controlava essa infecção.

O que significa “cura” no HIV?
Embora o anúncio tenha repercutido mundialmente como novos casos de cura, pesquisadores preferem utilizar uma definição mais cuidadosa.

Para o infectologista dr. Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos principais pesquisadores brasileiros em HIV, o termo cientificamente mais adequado é remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais. Leia tudo no agenciaaids

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