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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

MG registra quase sete crianças e adolescentes desaparecidos por dia e concentra uma das maiores taxas do país

Estado respondeu por quase 30% dos sumiços em 2025; conflitos familiares e fugas voluntárias estão entre as principais causas
Por: Ramon Agostinho / defatoonline
Foto: Reprodução/TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
Minas Gerais enfrenta um aumento expressivo nos registros de desaparecimento de crianças e adolescentes. Em 2025, foram contabilizados 9.139 desaparecimentos no estado, dos quais 2.487 envolveram menores de 18 anos, o equivalente a quase 30% do total. A média indica cerca de sete casos por dia nessa faixa etária, número quase 40% superior ao registrado em 2024, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.

Com esses números, Minas ocupa a terceira posição nacional em desaparecimentos de menores, atrás apenas de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Considerando todas as idades, o estado aparece como o segundo com mais notificações do país, reforçando a dimensão do problema.

Casos recentes chamaram atenção para o tema. Em Minas, o desaparecimento de Alice Maciel Lacerda Lisboa, de 4 anos, mobilizou forças de segurança e voluntários por três dias até que a criança fosse localizada na zona rural de Jeceaba. Em âmbito nacional, o sumiço dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no interior do Maranhão, segue sem desfecho após mais de um mês.

Levantamentos da Polícia Civil de Minas Gerais indicam que os desaparecimentos de crianças e adolescentes, em sua maioria, não estão ligados a crimes violentos, mas a contextos familiares e sociais complexos. Entre as causas mais frequentes estão conflitos familiares, disputas de guarda e a chamada subtração de incapaz, quando um dos responsáveis retira a criança sem consentimento do outro.

Também são comuns fugas voluntárias, sobretudo entre adolescentes, motivadas por situações de violência doméstica, maus-tratos, bullying, sofrimento psíquico ou uso de álcool e drogas. Em menor proporção, aparecem casos associados à exploração sexual, aliciamento pela internet, trabalho irregular e adoções ilegais, geralmente ligados à vulnerabilidade social e à evasão escolar.

Belo Horizonte concentra parcela relevante das ocorrências no estado, com registros que envolvem, em grande parte, primeira ausência, quando a criança ou adolescente desaparece pela primeira vez, cenário que exige resposta rápida para ampliar as chances de localização.

A Polícia Civil reforça que não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento. O boletim pode ser feito imediatamente após a quebra da rotina, em qualquer delegacia, base da Polícia Militar ou pela Delegacia Virtual. O estado mantém ainda a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, responsável por reunir informações e divulgar cartazes oficiais.

Informações sobre o paradeiro de pessoas desaparecidas podem ser repassadas de forma sigilosa pelo telefone 0800 2828 197. Especialistas e investigadores destacam que a rapidez no registro e a qualidade das informações iniciais seguem sendo fatores decisivos para reduzir o tempo de desaparecimento e evitar desfechos mais graves.

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