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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Pobreza pode atrasar o desenvolvimento motor de bebês, aponta estudo

Pesquisa mostra que bebês em situação de vulnerabilidade socioeconômica apresentam atrasos motores, mas estímulos simples podem reverter o quadro
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Vinícius Rangel - SBT
A pobreza pode deixar marcas no desenvolvimento dos bebês. Um novo estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) mostra que, aos seis meses de vida, crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica podem apresentar atrasos nos movimentos por, em muitos casos, não serem submetidas a tantos estímulos.

Segundo a pesquisadora Carolina Fioroni, essa é uma fase de aprendizado intenso. “É uma fase, como você disse, todo mundo aprendendo um com o outro. E o cérebro do bebê está em neuroplasticidade. É uma fábrica em plena produção de neurônios e captando tudo no ambiente. É como uma esponja”, explica.

A pesquisa acompanhou 88 bebês entre três e oito meses de idade. Mais da metade, 50 crianças, vivia em situação de pobreza. Além de alcançarem marcos motores mais tarde, esses bebês apresentaram menor variedade de movimentos, repetindo sempre as mesmas estratégias.

Carolina Fioroni reforça a importância do estímulo precoce. “O cérebro da criança está em constante desenvolvimento, então tem que começar o quanto antes a estimular, a observar, a avaliar”, afirma.

De acordo com o estudo, esses atrasos no primeiro ano de vida podem influenciar o desenvolvimento global da criança. Os impactos podem aparecer no comportamento e na aprendizagem na fase escolar, inclusive na forma de manusear objetos simples, como um lápis.

Tratamento e reversão
O estudo também aponta esses atrasos podem ser revertidos, com orientação simples e estímulos dentro ou fora de casa, mesmo em famílias com poucos recursos financeiros.

Em uma clínica, a fisioterapeuta Gabriela Dias Melo demonstra movimentos importantes que devem ser estimulados desde cedo. Colocar o bebê de bruços, incentivar que ele pegue objetos e promover a interação verbal estão entre as práticas indicadas.“A gente estimula tanto a rotação de pescoço quanto a sustentação da cabeça para o desenvolvimento motor”, explica.

Ela também destaca o uso de brincadeiras simples podem ajudar, neste sentido. “A gente pode pegar a bolinha na mão da criança e falar: ‘vamos bater a bolinha?’. Ela vai na brincadeira e a gente faz de forma que ela realize os alongamentos”, relata.

O estudo mostrou ainda que, aos oito meses, os atrasos já não eram mais significativos entre os bebês que receberam novos estímulos. O resultado foi atribuído principalmente ao envolvimento das mães.

Para a médica pediatra Beatriz Romão Amatto Gualberto, não é preciso esperar. “Muita gente acha que tem que esperar um pouco mais, mas fazer estímulos na primeira semana de vida é superseguro”, afirma.

Segundo os pesquisadores, o acompanhamento precoce e os estímulos em casa podem fazer toda a diferença no desenvolvimento infantil e trazem benefícios para o resto da vida.

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