Número de pessoas em situação financeira preocupante cresceu de 11,6 mi para 20,3 mi desde a pandemia e já representa 17% da população com dívidas nos bancos
Caio Barcellos-SBT
Número de brasileiros em situação de endividamento de risco chega a 20,3 milhões em junho de 2026, segundo o Banco Central | Reprodução

O número de brasileiros em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, um aumento de 75% em relação ao mesmo mês de 2021 e 17% das pessoas com dívidas no sistema financeiro. As informações constam no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (27).
🔎 Endividamento de risco representa quem apresenta pelo menos dois sinais de dificuldade financeira, entre eles: atrasos superiores a 90 dias, gastos com dívidas acima de 50% da renda, uso simultâneo de modalidades caras de crédito ou renda restante abaixo da linha de pobreza
Em junho de 2021, a proporção de endividados de risco era de 9,7%. O percentual chegou a 13,1% em junho de 2022, recuou para 13% no mesmo mês de 2023 e voltou a subir nos anos seguintes, alcançando 14,7% em junho de 2025 e 17% em junho deste ano.
Juros e bancos digitais favorecem cenário
A deterioração ocorre em um cenário de juros elevados - com a Selic em 13,75% ao ano - e maior utilização de modalidades de empréstimo com custos mais altos.
Segundo o BC, o comprometimento da renda dos brasileiros com o pagamento de dívidas atingiu cerca de 38% no primeiro semestre de 2026, o maior nível da série histórica de 21 anos, com impacto especialmente intenso sobre os consumidores de menor renda.
Bancos digitais favorecem cenário
O BC também chama a atenção para a expansão dos serviços financeiros digitais, que facilitou o acesso ao crédito, mas ampliou a exposição de consumidores de menor renda a ofertas constantes de empréstimos. Segundo a instituição, algumas práticas comerciais podem estimular contratações inadequadas à capacidade de pagamento dos clientes.
“A digitalização dos serviços financeiros amplia a exposição a fraudes, golpes, ataques cibernéticos e modelos de negócios que podem explorar comportamentos impulsivos dos consumidores”, diz a autarquia de Gabriel Galípolo.
BC prepara medidas para conter o problema
Diante desse cenário, a autoridade monetária avalia endurecer as regras para a concessão de empréstimos, principalmente nas modalidades consideradas mais arriscadas. Uma das possibilidades é exigir que os bancos mantenham mais recursos próprios para cobrir eventuais perdas, o que pode levá-los a adotar critérios mais rigorosos antes de liberar novos financiamentos.
O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) já havia informado, em agosto, que o BC preparava medidas para reduzir os riscos associados ao endividamento das famílias.
Apesar da piora dos indicadores, o BC considera que não há risco relevante para a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.
“O BC considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira. O Sistema Financeiro Nacional (SFN) permanece com capitalização e liquidez confortáveis e com provisões adequadas ao nível de perdas esperadas”, avalia a instituição.
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