Celebração anual promete afastar espíritos malignos; país está em posição 125º em ranking de igualdade de gênero
Foto: Reprodução
Um mar de cânticos, com cerca de 5 mil homens quase nus, usando uma tanga fio dental se acotovelando, um verdadeiro empurra-empurra em direção ao santuário.
“Washoi! Washoi! (‘Vamos! Vamos!’)”, eles gritam. Esta cena praticamente não mudou nos 1.250 anos em que o Hadaka Matsuri, ou popular Festival do Seminu, é realizado no Santuário Konomiya, no centro do Japão.
© mahacaraka / Instagram

Mas neste ano o festival introduziu uma grande mudança. Mas a ideia de participar de fato do festival — no qual os homens tentam afastar os maus espíritos, antes de orar pela felicidade no santuário — parece nunca ter surgido antes. De acordo com Naruhito Tsunoda, nunca houve uma proibição real. É que ninguém havia perguntado antes. E quando perguntaram, a resposta foi simples.
“Acredito que o mais importante é que haja um festival divertido para todos. Acho que Deus ficaria muito feliz com isso também”, disse ele à agência de notícias Reuters.
© mahacaraka / Instagram

“Mas estávamos todas unidas naquilo que queríamos fazer. Acreditávamos que Deus cuidaria de nós se fôssemos sinceras.” As mulheres que aguardam sua vez de participar estão sendo sinceras. O que elas não estão é nuas.
Em vez disso, muitas usam um “happi” – espécie de roupão longo tradicional – roxo e bermuda branca, em vez das tangas masculinas, enquanto carregam suas próprias oferendas de bambu.
Elas não vão participar do empurra-empurra dos homens até o santuário, tampouco se amontoar umas sobre as outras para tocar Shin Otoko, a “divindade masculina” — um homem escolhido pelo santuário. Tocá-lo, como reza a tradição, tem como objetivo afastar os maus espíritos.
Isso não tira, no entanto, o significado deste momento. “Sinto que os tempos finalmente mudaram”, afirma Yumiko Fujie à BBC.
“Mas também sinto um senso de responsabilidade.” Estas mulheres não estão apenas quebrando barreiras de gênero com sua participação. Elas também estão mantendo viva a tradição.

Nenhum comentário:
Postar um comentário