Para Kátia Mecler ainda não foi possível um consenso, do ponto de vista mundial ou mesmo setorial (Brasil), que possa definir qual a idade ideal da maioridade dos jovens atualmente. É uma questão que pode ser conduzida com tentativas e erros. No próprio Brasil, em códigos penais anteriores, eram imputáveis jovens a partir de 14 anos. Já tivemos uma maioridade menor, elevamos o patamar e, talvez, seja a hora de reduzir um pouco. Os crimes praticados pelos jovens tem levado a população a conviver com um terror inimaginável, já não é seguro sair de casa. E o debate em relação a redução da maioridade penal voltou a tona bem mais forte, após o assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, durante um assalto em frente à sua casa no Bairro de Belém, zona leste de São Paulo. O agressor era um adolescente de 17 anos que completou 18 dias depois. Com isso, ele cumprirá pena socioeducativa, pois o crime foi cometido quando ainda era menor. O bruto assassinato levou a população brasileira a exigir uma solução imediata das autoridades competentes. Em São Paulo o governador Geraldo Alckmin, disse que seu partido, o PSDB, deve apresentar ao Congresso um projeto para tornar mais rígido o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Uma das propostas é ampliar para oito anos o período de internação do menor infrator. Hoje, o tempo máximo de internação é três anos, e ainda exigir a maioridade penal para 16 anos.
Sabemos que o problema é bem mais amplo, que existe todo um ambiente que proporciona a esses jovens um campo fértil para a delinquência. Não sabemos com certeza se a maioridade sendo de 16 anos, vai diminuir ou mesmo coibir a violência praticada pelos jovens. Mas algo deve ser feito e urgentemente. Não se suporta mais tantas mortes e tanta violência sem que haja uma ação por parte dos órgãos competentes. Precisamos de escolas, geração de empregos, de moradia, precisamos de incentivos para os nossos jovens estudarem e produzirem; há uma necessidade urgente em reverter a ilusão de que valemos pelo que temos, o que usamos, que marca de roupa, qual a marca do meu carro, se o perfume é importado, se estou com o bolso cheio de dinheiro. Temos que valorizar o SER e não o TER. Enquanto não mudarmos esses paradigmas, teremos sempre jovens delinquentes roubando para se vestir bem e ser aceito pela sua turma ou gang.
Texto de Maria José Gonçalves (Tia Nen) para a Coluna Tabocas
Psicóloga formada pela Universidade Salesiana de Vitória do Espirito Santo.
tianenreis@hotmail.com
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