Preço acima do IPCA e reutilização de itens explicam retração prevista para o setor
Dicas do Inmetro ajudam pais a escolher material escolar seguro e econômico | Foto: Reprodução
Larissa Alves - SBT

As vendas de materiais escolares devem registrar queda de 5,9% em 2026. O dado é de um levantamento do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo), em parceria com a FIA Business School.
A retração vem após uma recuperação parcial em 2025, quando o setor cresceu 2,7%, após uma queda mais acentuada em 2024, de 8,2%. Entre os itens que mais devem registrar queda nas vendas em 2026 estão livros didáticos, mochilas, cadernos e até móveis para estudo, como mesas e cadeiras.
Já produtos mais básicos e baratos, como canetas, lápis e papel sulfite, continuam sendo os mais procurados.
Segundo a pesquisa, o principal motivo para a queda nas vendas dos materiais escolares em 2026 é o aumento do preço do material escolar. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os materiais escolares acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do IPCA no período, que ficou em torno de 14,3%.
Outro ponto a destacar é a grande diferença de preços entre lojas. Um levantamento do Procon de São Paulo mostra que a variação pode chegar a quase 280% para o mesmo produto. O maior exemplo foi o de uma caneta esferográfica azul encontrada por R$ 1,30 em uma loja e R$ 4,90 em outra.
Foram analisados mais de 130 itens, como lápis, cola, apontador, régua, giz de cera e lápis de cor, entre os dias 15 e 16 de dezembro em nove lojas na capital paulista.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva com a Question Pro mostra que nove em cada 10 brasileiros com filhos em idade escolar comparam preços antes de comprar, e dois em cada três visitam mais de uma loja.
Outra tendência é o crescimento das compras pela internet. De acordo com dados do Instituto Locomotiva, embora as lojas físicas ainda liderem, com 45% das compras, o e-commerce já responde por 16% das aquisições exclusivamente online. Outros 39% dos consumidores combinam os dois canais, comprando tanto na loja física quanto pela internet.
Na avaliação do economista Rodrigo Simões, professor da Faculdade de Comércio, tanto os canais online quanto as lojas físicas possuem vantagens claras.
No e-Commerce, praticidade, descontos e promoções são os principais atrativos. Já nas lojas físicas, a experiência do cliente é o que mais conta.
Além disso, muitas famílias estão apostando na reutilização. Segundo o Instituto Locomotiva, 8 em cada 10 pais pretendem reaproveitar materiais do ano anterior que ainda estão em bom estado.
E essa mudança de comportamento também influencia o comércio. Algumas papelarias já adotam ações de sustentabilidade, como programas que recebem papel usado e oferecem desconto na compra de novos materiais.
A pesquisa mostra ainda que 92% das famílias afirmam que as crianças participam da seleção do material escolar. Em 45% dos casos, os filhos escolhem a maioria dos itens. Entre crianças de 11 a 14 anos, a participação chega a 95%.
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