Novo vídeo registra o segurança Davi Santos Machado no local do crime; investigado também usou bicicleta que pertencia à irmã de Cláudio Rafael

Um novo vídeo mostra o segurança Davi Santos Machado, de 21 anos, retornando ao local onde Cláudio Rafael Landeiro foi espancado até a morte, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, após ser acusado injustamente de roubo.
Nas imagens, registradas horas após o crime, na madrugada de 12 de agosto, quando Cláudio já havia sido socorrido, Davi mostra as câmeras de segurança do local e afirma que nenhuma delas estava voltada para o ponto onde ocorreram as agressões.
Já na segunda-feira (17), cinco dias após o crime, Davi chegou para prestar depoimento com a bicicleta que pertencia à irmã da vítima. Inicialmente na condição de testemunha, ele negou ter participado das agressões. A informação de que ele utilizou a bicicleta foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso. Posteriormente, Davi foi preso e, segundo a investigação, mudou a versão e admitiu participação no espancamento. Ele é investigado pela morte de Cláudio.
No último sábado (22), o juiz Rafael de Almeida Rezende manteve as prisões temporárias de Davi e de Jorge Luiz Ricardo Dias, de 56 anos. Segundo a decisão, os mandados foram expedidos regularmente, estão dentro do prazo de validade e os motivos que levaram à prisão temporária continuam presentes.
Os outros dois investigados são os entregadores Ailton José da Silva e Felipe Eduardo dos Santos Silva, que também foram presos pela polícia. Eles ainda não haviam passado por audiência de custódia.
O que aconteceu
Cláudio Rafael Landeiro foi espancado durante a madrugada de 12 de agosto, depois de ser acusado de estar com uma bicicleta que teria sido furtada. A bicicleta, no entanto, pertencia a uma das irmãs da vítima. Imagens de câmeras de segurança, inclusive, mostram ele saindo de casa com o veículo.
Na Rua Barata Ribeiro, segundo os relatos reunidos pela investigação, ele foi abordado por um segurança, que questionou a propriedade do veículo. Davi afirmou que Cláudio teria dito que a bicicleta não era dele (pois era da irmã). O segurança relatou que reteve o veículo e que só o entregaria quando o suposto proprietário chegasse.
Depois, na Rua Felipe Oliveira, o circuito registrou Cláudio sentado na escada de um prédio quando os dois entregadores chegaram ao local. Em seguida, Davi se aproximou com um pedaço de madeira e começaram as agressões contra a vítima, que foi atingida com socos, chutes e pauladas durante cerca de sete minutos.
Jorge, por sua vez, é apontado como responsável pela abordagem inicial e por ter ficado com a bicicleta. A investigação afirma que ele não participou diretamente das agressões.
Cláudio foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas morreu em decorrência dos ferimentos. Segundo informações repassadas à família, a causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna.
Cláudio Rafael Landeira foi espancado e morreu em Copacabana | Reprodução/Redes sociais

Prisões
Os entregadores Ailton José da Silva e Felipe Eduardo dos Santos Silva tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça e são investigados por participação no crime. Davi foi preso em Mesquita, na Baixada Fluminense. Já Jorge se apresentou ao 12º Distrito Policial de Copacabana.
A investigação é conduzida pelo 12º Distrito Policial de Copacabana. A Polícia Civil continua realizando diligências para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos.
O caso ganhou repercussão após as irmãs de Cláudio relatarem o episódio nas redes sociais. A família afirma que ele tinha deficiência cognitiva e dificuldades de comunicação.
Uma das irmãs, Fabiana Motta Landeiro Hansen, afirmou ao SBT Rio que ficou aliviada com as prisões e cobrou responsabilização dos envolvidos. "Não descansarei pelo meu irmão, justiça pelo Rafael", declarou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário