Por Paulo Dourado / BN

O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) rebateu, nesta quinta-feira (13), o desembargador Maurício Kertzman, presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), que havia exposto no pleno do tribunal uma gravação atribuída ao parlamentar, tratada pelo magistrado como uma ameaça. Em entrevista ao Bahia Notícias, Nilo afirmou que não se tratou de um áudio, mas de uma ligação telefônica que ele mesmo fez ao desembargador, e acusou Kertzman de agir para prejudicá-lo.
Segundo o deputado, na ligação que teria ocorrido cerca de oito dias antes, Nilo relembrou o desembargador de momentos vividos entre os dois durante periodo em que o parlamentar era presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).
"Eu não tenho dúvida nenhuma que ele está ali para me prejudicar. Eu telefonei para ele e disse em alto e bom som. Quando eu era presidente da Assembleia, você foi lá no meu gabinete pedindo para eu falar com o Jaques Wagner para você ser juiz do TRE", afirmou, atribuindo ao desembargador um pedido de apoio à época em que Nilo comandava a Assembleia Legislativa.
Nilo também confirmou a existência de um dossiê, mas deu uma versão diferente da do desembargador sobre ele. Disse que recebeu o material de outros desembargadores meses atrás e que optou por não divulgá-lo. O parlamentar afirmou ainda que Kertzman passou a votar contra ele em julgamentos no TRE e o acusou de atuar em favor de adversários políticos.
"Eu recebi um dossiê muito pesado contra Maurício Kertzman. Mandaram o dossiê comigo pensando que eu ia divulgar. Eu segurei. Ele sempre fica contra mim. Eu acho que ele está a serviço, ele é da cozinha de Wagner e da cozinha de Rui Costa", declarou, sem apresentar provas das alegações.
O deputado anunciou que pretende ler o conteúdo do dossiê na tribuna da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (18). Entre as acusações que diz constarem no material, Nilo mencionou, sem apresentar comprovação, que o desembargador receberia recursos nas Ilhas Cayman.
"Essa terça-feira eu vou para a tribuna da Câmara e vou ler todo o dossiê que eu recebi. Nunca vou dar a fonte. É para mostrar quem é o cidadão que preside o TRE hoje", afirmou.
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