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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Após meses foragido, presidente da Conafer é preso pela PF em investigação sobre descontos no INSS

Carlos Lopes estava foragido desde novembro e se apresentou à Polícia Federal em Brasília; entidade é apontada como peça central em esquema de cobranças não autorizadas de aposentados e pensionistas
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).  Por: Metro1 

Lopes estava foragido desde novembro do ano passado. Segundo a PF, ele se apresentou na Superintendência Regional da corporação em Brasília e, após os procedimentos de praxe, será encaminhado ao sistema prisional.

A Conafer é apontada pelos investigadores como uma das principais estruturas do esquema. Segundo a apuração, a entidade teria sido usada para realizar filiações falsas e cobranças não autorizadas de beneficiários do INSS, com movimentação irregular de milhões de reais.

Indiciamento
No mês passado, a PF concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas. Entre os nomes estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca.

Carlos Roberto Ferreira Lopes também foi formalmente indiciado e, segundo a PF, a Conafer foi o principal alvo dessa etapa da investigação.

O dirigente já havia sido alvo de um mandado de prisão em 17 de novembro, mas não foi localizado pelos agentes e passou a ser considerado foragido. Na época, a Conafer negou que ele tivesse fugido. Em nota, afirmou que Lopes estava “em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação” e que estaria retornando.

Agora, após se entregar à PF, Lopes deverá responder, segundo o pedido de indiciamento, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.

O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Como funcionavam as fraudes
De acordo com a investigação, aposentados e pensionistas do INSS tinham valores descontados mensalmente dos benefícios sob a justificativa de que seriam integrantes de associações. Os investigadores apontam, porém, que muitos deles nunca haviam se filiado às entidades nem autorizado as cobranças.

A apuração começou em 2023, após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar indícios de irregularidades. No ano seguinte, diante da suspeita de crimes, a Polícia Federal passou a atuar no caso.

As estimativas dos investigadores indicam que os descontos indevidos em aposentadorias e pensões podem alcançar R$ 6,3 bilhões.

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