Carlos Lopes estava foragido desde novembro e se apresentou à Polícia Federal em Brasília; entidade é apontada como peça central em esquema de cobranças não autorizadas de aposentados e pensionistas
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por: Metro1
Lopes estava foragido desde novembro do ano passado. Segundo a PF, ele se apresentou na Superintendência Regional da corporação em Brasília e, após os procedimentos de praxe, será encaminhado ao sistema prisional.
A Conafer é apontada pelos investigadores como uma das principais estruturas do esquema. Segundo a apuração, a entidade teria sido usada para realizar filiações falsas e cobranças não autorizadas de beneficiários do INSS, com movimentação irregular de milhões de reais.
Indiciamento
No mês passado, a PF concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas. Entre os nomes estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca.
Carlos Roberto Ferreira Lopes também foi formalmente indiciado e, segundo a PF, a Conafer foi o principal alvo dessa etapa da investigação.
O dirigente já havia sido alvo de um mandado de prisão em 17 de novembro, mas não foi localizado pelos agentes e passou a ser considerado foragido. Na época, a Conafer negou que ele tivesse fugido. Em nota, afirmou que Lopes estava “em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação” e que estaria retornando.
Agora, após se entregar à PF, Lopes deverá responder, segundo o pedido de indiciamento, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.
O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
De acordo com a investigação, aposentados e pensionistas do INSS tinham valores descontados mensalmente dos benefícios sob a justificativa de que seriam integrantes de associações. Os investigadores apontam, porém, que muitos deles nunca haviam se filiado às entidades nem autorizado as cobranças.
A apuração começou em 2023, após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar indícios de irregularidades. No ano seguinte, diante da suspeita de crimes, a Polícia Federal passou a atuar no caso.
As estimativas dos investigadores indicam que os descontos indevidos em aposentadorias e pensões podem alcançar R$ 6,3 bilhões.
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