Cada R$ 1.000 referente ao saldo em 31 de dezembro de 2025 dará direito a cerca de R$ 18,68; valor só poderá ser sacado nas hipóteses previstas em lei
Caio Barcellos / sbt
Caixa | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou nesta terça-feira (28) a distribuição de R$ 13,04 bilhões entre cerca de 138 milhões de trabalhadores com saldo em contas ativas ou inativas.
O valor recebido por cada trabalhador será proporcional ao dinheiro que estava depositado em suas contas em 31 de dezembro de 2025. Quanto maior o saldo naquela data, maior será a parcela do lucro.
Para calcular o crédito, o trabalhador deve multiplicar o saldo registrado no fim de 2025 pelo índice de 0,01868341, previsto na proposta aprovada pelo Conselho.
O número representa aproximadamente R$ 18,68 para cada R$ 1.000 que estavam na conta. Uma pessoa que tinha R$ 5.000 no FGTS, por exemplo, receberá cerca de R$ 93,42. Com saldo de R$ 10.000, o crédito será de aproximadamente R$ 186,83.
A rentabilidade das contas do FGTS em 2025 foi de 6,9%, percentual 2,53 pontos percentuais acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, que terminou o ano em 4,26%.
A Caixa Econômica Federal fará os depósitos diretamente nas contas vinculadas ao FGTS até 31 de agosto, sem necessidade de apresentar pedido ou fazer cadastro para receber o valor.
O dinheiro será incorporado ao saldo do trabalhador e seguirá as regras normais do FGTS, sem possibilidade de ser retirado imediatamente — salvo nas situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria, doenças graves e calamidade pública.
O valor distribuído também não será incluído no cálculo da multa de 40% paga pelo empregador em caso de demissão sem justa causa.
Os R$ 13,04 bilhões a serem distribuídos correspondem a 89% do lucro de R$ 14,7 bilhões obtido pelo FGTS em 2025, resultado 7,7% superior aos R$ 13,6 bilhões registrados em 2024. O desempenho foi impulsionado principalmente por operações de crédito imobiliário e aplicações em títulos públicos, com soma de R$ 64,5 bilhões em receitas.
Quem tem direito
Receberão a parcela todos os trabalhadores que tinham algum saldo em contas do FGTS em 31 de dezembro de 2025, inclusive em contas inativas, relacionadas a empregos anteriores.
Depósitos feitos depois dessa data não serão considerados na distribuição atual. Valores que deveriam ter sido recolhidos pelo empregador, mas não estavam na conta até o fim de 2025, também ficarão fora do cálculo.
O crédito poderá ser consultado no aplicativo FGTS, no extrato da conta vinculada, nos canais digitais da Caixa ou presencialmente em uma agência do banco. No extrato, o depósito será identificado como distribuição de resultado.
A divisão de parte dos lucros do FGTS foi estabelecida em 2017 e complementa a remuneração básica das contas, formada por juros de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR).
Os resultados são obtidos principalmente com aplicações dos recursos do fundo em financiamentos habitacionais, projetos de saneamento e infraestrutura e títulos públicos federais.
Conselho Curador
O Conselho Curador é responsável por definir as regras e as diretrizes de aplicação dos recursos do FGTS. O colegiado tem composição tripartite e reúne 12 integrantes titulares, sendo seis representantes do governo federal, três dos trabalhadores e três dos empregadores.
A bancada governamental tem dois representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, incluindo o ministro Luiz Marinho (PT), que preside o conselho. As outras quatro são de integrantes da Casa Civil e dos ministérios das Cidades, da Fazenda e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
Os trabalhadores são representados pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), pela UGT (União Geral dos Trabalhadores) e pela Força Sindical.
Já os empregadores têm representantes da CNI (Confederação Nacional da Indústria), da CNSF (Confederação Nacional do Sistema Financeiro) e da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Em 2025, o fundo distribuiu R$ 12,9 bilhões referentes ao resultado do ano anterior. Na distribuição realizada em 2024, o valor repassado aos trabalhadores chegou a R$ 15,2 bilhões.
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