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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Após casos de circovírus, 69 ararinhas-azuis deixam criadouro na Bahia

Miguel Monteiro/ICMBio
Uma força-tarefa coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou a transferência emergencial de 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs de um criadouro localizado em Curuçá, no norte da Bahia. A medida, respaldada por decisão judicial, ocorreu após a identificação de casos de circovírus entre as aves e o descumprimento de protocolos de biossegurança na unidade.  José Mion/Alô Alô Bahia

Os animais, que testaram negativo para a doença, foram encaminhados ao Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE), onde permanecerão em quarentena por tempo indeterminado, passarão por nova rodada de exames e receberão acompanhamento veterinário especializado.

A operação contou com a participação da Polícia Federal, da Polícia Militar, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), além de veterinários do ICMBio e do Cemafauna.

Segundo o ICMBio, inspeções constataram falhas nas medidas de higiene e biossegurança do criadouro, parceiro da Associação para a Conservação dos Papagaios Ameaçados (ACTP). Entre as irregularidades apontadas estavam comedouros e instalações com acúmulo de fezes e a ausência de equipamentos de proteção individual adequados durante o manejo das aves.

Dos 103 exemplares mantidos no local, 34 testaram positivo para o circovírus. As aves que apresentaram resultado negativo foram retiradas para evitar contaminação.

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), espécie endêmica da Caatinga brasileira e extinta na natureza, está no centro de um programa de conservação e reintrodução. De acordo com o ICMBio, a separação entre aves infectadas e não infectadas é essencial para preservar os indivíduos saudáveis e garantir a continuidade do projeto.

Originário da Austrália, o circovírus dos psitacídeos é considerado uma das doenças mais graves que afetam araras, papagaios e periquitos. A enfermidade compromete principalmente penas e bico, não tem cura e apresenta alta taxa de mortalidade. O vírus, porém, não é transmissível para humanos nem para aves de produção.

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