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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Assassino confesso de gari em BH enfrenta julgamento popular

Justiça mantém prisão preventiva e decide que Renê da Silva Nogueira Júnior responderá por homicídio e ameaça pela morte do trabalhador durante discussão de trânsito na capital
Por: Edna Coelho - DeFato
Renê, empresário que matou gari. Foto: Reprodução/Redes sociais
A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular o homem que matou o gari Laudemir de Souza Fernandes durante uma discussão de trânsito na capital. O réu, Renê da Silva Nogueira Júnior, confessou o crime e será julgado pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte.

A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen, do 1º Tribunal do Júri. Além do homicídio, o acusado também responderá pelo crime de ameaça, cometido contra a motorista do caminhão de coleta de lixo no dia do assassinato, em 11 de agosto de 2025.

Além disso, a magistrada manteve a prisão preventiva do réu. O processo seguirá público, apesar do pedido da defesa para decretar sigilo.

Segundo a juíza, a gravidade do crime e o risco à ordem pública justificam a manutenção da prisão. “Os fundamentos que embasaram a medida permanecem atuais”, afirmou na decisão.
Discussão banal terminou em morte

O crime ocorreu na manhã de uma segunda-feira, no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. Um caminhão de coleta de lixo estava parado na via quando um carro BYD se aproximou em sentido contrário.

Nesse momento, uma discussão começou. Conforme relatos de testemunhas, o motorista do carro sacou uma arma, ameaçou a condutora do caminhão e, em seguida, atirou contra o gari Laudemir, que tentava acalmar a situação.

O disparo atingiu o trabalhador na região do tórax. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem. No entanto, não resistiu aos ferimentos.

Logo depois, o autor do crime deixou o local sem demonstrar arrependimento. Horas mais tarde, a polícia o localizou em uma academia no bairro Estoril. Ele foi preso sem oferecer resistência.
Defesa vai recorrer

A defesa de Renê afirmou ter recebido a decisão com surpresa. Segundo os advogados, houve irregularidades na investigação policial.

Além disso, a defesa sustenta que laudos técnicos indicam a existência de dois disparos contra a vítima. Por esse motivo, informou que irá recorrer da decisão de pronúncia.

Enquanto isso, o processo segue para análise da segunda instância. Somente após essa etapa a Justiça marcará a data do julgamento pelo júri popular.
Trabalhador morto em serviço

Laudemir de Souza Fernandes tinha 44 anos e trabalhava como gari na empresa Localix Serviços Ambientais. Colegas e familiares o descrevem como um homem tranquilo, dedicado ao trabalho e à família.

Ele deixou esposa, uma filha adolescente e enteadas. Segundo a empresa, Laudemir tentou conter o conflito e acabou morto enquanto exercia sua função.

“Ele tentou apaziguar a situação. Agora, cabe à Justiça dar a resposta”, afirmou um representante da empresa.
Perfil do réu

Renê da Silva Nogueira Júnior construiu carreira no setor corporativo. Ele já ocupou cargos de liderança em empresas como Coca-Cola, Ambev, Red Bull e Vigor.

À época da prisão, havia assumido recentemente um cargo executivo em uma empresa do ramo alimentício. Após o crime, a companhia rompeu o vínculo e manifestou solidariedade à família da vítima.

Por fim, o caso reacende o debate sobre violência no trânsito e intolerância. Uma discussão banal terminou na morte de um trabalhador e agora será analisada pelo julgamento popular.

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