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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Posicionamento AIPC - Manifestações sobre importação de amêndoas

Posicionamento AIPC Importação de amêndoas é estratégica para o Brasil e não está relacionada com o preço do cacau
A importação de cacau é um instrumento necessário para garantir o funcionamento contínuo da indústria brasileira diante da insuficiência da produção nacional frente à demanda existente. Esse abastecimento complementar é essencial para o cumprimento de contratos, a manutenção da moagem e a preservação de empregos, renda e arrecadação ao longo de toda a cadeia produtiva. 

A importação ocorre porque o Brasil não produz volume suficiente de cacau para atender às necessidades da indústria, que mantém compromissos comerciais e contratos com clientes no mercado interno e internacional. Sem esse abastecimento complementar, a indústria perde capacidade de cumprir contratos, compromete sua presença no mercado externo e é forçada a reduzir ainda mais a moagem. Esse movimento gera prejuízos estruturais para toda a cadeia, com impactos diretos sobre empregos, renda e arrecadação, além de reduzir a própria demanda pelo cacau nacional. 

A AIPC reconhece a legitimidade das manifestações pacíficas realizadas por produtores de cacau e compreende as preocupações relacionadas à queda de preços e à sustentabilidade da produção nacional. Em momentos de maior instabilidade de mercado, o diálogo entre os elos da cadeia é fundamental. 

É importante, contudo, esclarecer alguns fatos objetivos. A importação de cacau não decorre da Instrução Normativa nº 125/2021, tampouco é a causa da recente queda dos preços. Ao se comparar o período de 2016 a 2020 (antes da vigência da IN 125) com os anos de 2021 a 2025, observa-se uma redução aproximada de 33% nas importações, o que evidencia um cenário de retração de mercado, e não de estímulo artificial à entrada do produto importado. 

A queda recente dos preços é um fenômeno global, observado desde agosto de 2025, associado principalmente à forte retração da demanda por derivados de cacau. Na Europa, a moagem recuou mais de 8%; no Brasil, a queda foi ainda mais acentuada, em torno de 14%. Em mercados de commodities, a redução da demanda exerce pressão direta sobre os preços, independentemente da origem do produto. 

A AIPC reforça que os desafios da cacauicultura brasileira não serão superados por intervenções artificiais no mercado nem pela proibição da importação, mas pelo fortalecimento estrutural da cadeia produtiva: organização e profissionalização dos produtores, aumento da produtividade, melhoria da qualidade, acesso à informação e utilização adequada dos instrumentos de comercialização nos mercados interno e externo. 

Indústria e produção não são elos opostos, mas interdependentes. Uma indústria competitiva, operando de forma contínua, é condição essencial para sustentar a demanda, gerar valor e criar oportunidades duradouras para toda a cadeia do cacau no Brasil.

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