Rinaldo de Oliveira / SNB

O SUS agora terá oficialmente o teste FIT para rastrear câncer de intestino antes do aparecimento de sintomas. O Ministério da Saúde incluiu nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) na tabela do Sistema Único de Saúde.
O exame será destinado a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas e deverá ser realizado a cada dois anos. A medida entra em vigor com a publicação no Diário Oficial da União, e o novo procedimento começará a ser registrado nos sistemas do SUS a partir de setembro. O protocolo nacional havia sido anunciado pelo Ministério da Saúde em 21 de maio.
A portaria estabelece que o exame será destinado exclusivamente ao “rastreamento bienal de pessoas assintomáticas”. Isso significa que o teste é voltado à prevenção e à descoberta precoce de possíveis alterações, e não à investigação de pessoas que já apresentam sintomas.
Como funciona o teste FIT
O Teste Imunoquímico Fecal, conhecido pela sigla FIT, é um exame de fezes capaz de identificar quantidades muito pequenas de sangue que não podem ser vistas a olho nu.
A presença desse sangue pode estar relacionada a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. O resultado positivo, porém, não significa automaticamente que a pessoa tenha câncer. Nesse caso, são necessários exames complementares para descobrir a causa do sangramento.
A tecnologia utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano nas fezes, o que aumenta a precisão em comparação com métodos mais antigos de pesquisa de sangue oculto. Segundo o Ministério da Saúde, o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Coleta pode ser feita em casa
Outra vantagem é a simplicidade. O paciente recebe um kit e retira uma pequena amostra das fezes com uma haste própria. O material é colocado em um tubo coletor e depois encaminhado para análise em laboratório.
O FIT não exige preparo intestinal, não obriga o paciente a fazer dieta restritiva antes da coleta e pode ser realizado com uma única amostra. Também é menos invasivo do que outros métodos usados na investigação do intestino.
Se o teste identificar sangue oculto, o paciente será encaminhado para investigação complementar. Entre os exames utilizados está a colonoscopia, que permite visualizar diretamente o cólon e o reto e também retirar pólipos que, em alguns casos, poderiam evoluir para câncer.
Mais de 40 milhões poderão ter acesso
A ampliação do rastreamento pode beneficiar mais de 40 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.
O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, está entre os tumores mais frequentes no país. Sem considerar os cânceres de pele não melanoma, é o segundo tipo mais frequente no Brasil. O INCA estima 53,8 mil novos casos da doença por ano no triênio de 2026 a 2028.
A descoberta precoce faz diferença porque o câncer de intestino é tratável e, na maioria dos casos, pode ser curado quando identificado nos estágios iniciais, antes de se espalhar para outros órgãos. Mais no sonoticiaboa
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