Lorena Fassina / SNB

A imagem mais detalhada da Via Láctea revela o "bojo galáctico", com 60 milhões de estrelas e milhares de possíveis mundos em registro histórico do telescópio Euclid. - Foto: ESA/Euclid/Euclid Consortium/NASA, CFHT/ Imagem processada por J-C Cuillandre e E Bertin (CEA Paris-Saclay)
É impressionante. Astrônomos divulgaram a imagem mais detalhada já feita do centro da Via Láctea, nossa galáxia, e ela revela mais de 60 milhões de estrelas, nebulosas, aglomerados estelares e milhares de possíveis mundos espalhados pelo universo.
A imagem incrível foi capturada pelo telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), e mostra o “coração” da Via Láctea com uma nitidez nunca vista antes. O registro é considerado o maior e mais detalhado já feito em luz visível da região central da galáxia.
Os cientistas acreditam que esse gigantesco mosaico espacial poderá ajudar na descoberta de milhares de exoplanetas — planetas que orbitam outras estrelas — além de revelar novos segredos sobre a formação e evolução da nossa galáxia.
Mais de 60 milhões de estrelas
A imagem, divulgada agora, foi produzida após cerca de 26 horas de observação feitas pelo telescópio em março de 2025. Para montar o mosaico final, o Euclid registrou nove grandes áreas do céu próximas ao centro galáctico.
O resultado é tão detalhado que permite distinguir estrelas individuais mesmo em uma das regiões mais densas e brilhantes da Via Láctea.
Segundo a ESA, o telescópio conseguiu observar estrelas escondidas atrás de nuvens de poeira cósmica e áreas extremamente congestionadas do espaço.
Novos mundos no universo
Com a imagem, cientistas querem agora encontrar milhares de novos exoplanetas com uma técnica chamada microlente gravitacional, quando a gravidade de uma estrela altera a luz de outra mais distante.
Os pesquisadores afirmam que o estudo dessa região pode ampliar drasticamente o número de planetas conhecidos fora do Sistema Solar.
Hoje, a ciência já confirmou cerca de 6 mil exoplanetas. Mas especialistas acreditam que, com novas observações como essa, esse número poderá ultrapassar 100 mil nos próximos anos.
A missão do telescópio Euclid foi criada para estudar matéria escura e energia escura, mas acabou abrindo também uma nova janela para explorar a Via Láctea em profundidade.
Para astrônomos, essa nova imagem representa um marco histórico na observação espacial e poderá gerar descobertas importantes por décadas.
E para quem olha da Terra, fica também o lembrete de como o universo é gigantesco, misterioso e absolutamente fascinante.
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