Estudo com participação da Unifesp que detectou microplásticos, drogas ilícitas e agrotóxicos, acende alerta para os impactos do saneamento insuficiente
André Barbeiro , Lucio Sturm / sbt

Rio Tietê | Foto: Reprodução
A contaminação do Rio Tietê se estende por toda a sua extensão, da nascente em Salesópolis até a foz no Rio Paraná, segundo um estudo inédito realizado durante a Expedição Tietê 2025. A pesquisa, que contou com a participação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), identificou microplásticos, fármacos, drogas ilícitas, agrotóxicos e outros contaminantes em todos os 14 pontos analisados ao longo de mais de mil quilômetros do principal rio paulista.
O levantamento foi coordenado pela Fundação SOS Mata Atlântica, com apoio do Instituto Itaúsa e participação de pesquisadores da Unifesp, Universidade Federal do ABC (UFABC), Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (CENA/USP) e Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Os resultados mostram que não há mais nenhum trecho completamente livre de contaminação, revelando um cenário associado ao saneamento insuficiente, à urbanização intensa, ao descarte inadequado de resíduos e ao uso agrícola do solo.
Em entrevista ao News Sábado, o professor do Instituto do Mar da Unifesp, Camilo Seabra, afirmou que a presença de cafeína em todos os pontos do rio foi um dos principais indicadores da pesquisa.
"Encontrar cafeína da nascente até a foz significa que, de alguma forma, tem esgoto doméstico não tratado chegando ao Rio Tietê em todos os seus trechos", explicou. Segundo ele, a substância é amplamente utilizada como marcador ambiental por estar presente em alimentos, bebidas e medicamentos, sendo normalmente removida durante o tratamento convencional de esgoto.
Além da cafeína, os pesquisadores identificaram medicamentos como losartana, valsartana, atenolol, carbamazepina, diclofenaco, antidepressivos, estabilizadores de humor, além de cocaína e benzoilecgonina, principal metabólito da droga. Mais no sbtnews
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