Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil
O avanço do mar no distrito de Atafona, em São João da Barra, no norte fluminense, redesenhou a geografia local ao longo das últimas décadas. Cerca de 500 edificações, incluindo residências, clubes, ruas e prédios públicos, já foram completamente submersas pelas águas do oceano.
Esse severo processo de degradação costeira não é recente; há pelo menos sete décadas, o mar avança cerca de cinco metros por ano sobre o continente, destruindo progressivamente a infraestrutura urbana da comunidade.
Explicação para o fenômeno
A explicação para o fenômeno está diretamente ligada à localização geográfica do distrito, situado exatamente no delta do rio Paraíba do Sul, curso d’água que cruza os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Historicamente, a região passava por ciclos naturais de erosão há milhares de anos, mas a planície litorânea sempre conseguia se recuperar. Contudo, intervenções humanas massivas aceleraram e alteraram esse equilíbrio ecológico de forma drástica.
Atualmente, a bacia hidrográfica do rio conta com 943 barragens integradas ao seu curso. Essas estruturas reduzem significativamente a vazão da água e retêm a quantidade de sedimentos que deveriam chegar naturalmente até a foz. O desastre ambiental se consolida devido ao descompasso gerado na costa: o mar continua retirando a areia da praia de forma agressiva, mas o rio bloqueado não consegue mais repor esses sedimentos essenciais.
A situação crítica é ainda mais agravada pelos efeitos do aquecimento global. O aumento da temperatura do planeta intensifica a evaporação e gera ventos e ondas muito mais fortes no oceano. Na região de Atafona, o nível do mar subiu 13 centímetros entre 1990 e 2020, com a projeção de elevar mais 21 centímetros até o ano de 2050. Por Alan da Silva / diariodocomercio

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