Governo Lula espera definição da Casa Branca até quarta-feira (15), mantém negociações com Washington e avalia resposta diplomática e eventual aplicação da Lei de Reciprocidade
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação/The White House

O governo brasileiro aguarda a decisão dos Estados Unidos sobre a possível aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A definição da Casa Branca é esperada até quarta-feira (15), e a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera como cenário mais provável a confirmação das medidas. Por: Metro1
As tarifas foram anunciadas em momentos distintos pelo presidente Donald Trump. A primeira, de 25%, foi apresentada após uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. Em seguida, o governo norte-americano anunciou uma taxa adicional de 12,5% para países que, segundo Washington, apresentam falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Em ambos os casos, foram divulgadas listas de exceções para determinados produtos.
Apesar da expectativa de confirmação das tarifas, integrantes do governo brasileiro acreditam que os Estados Unidos ainda podem ampliar a relação de produtos isentos da cobrança. O Brasil também aguarda uma nova reunião virtual com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, antes da decisão final.
Na última sexta-feira (10), Lula se reuniu com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para discutir os possíveis cenários. Segundo interlocutores, o presidente defendeu que o Brasil mantenha as negociações até o último momento, embora considere que as tarifas não possuem justificativa.
Reação prevista
Caso as novas taxas sejam confirmadas, a reação inicial do governo deverá ser uma manifestação oficial de indignação contra a decisão da Casa Branca. A avaliação é que as medidas são "inaceitáveis" e não encontram respaldo na relação comercial entre os dois países.
Após a divulgação da decisão, equipes técnicas devem analisar os impactos das tarifas e estudar os próximos passos. Entre as alternativas está a possibilidade de recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas de retaliação contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.
O Itamaraty também identificou 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que pediram a exclusão de produtos brasileiros da lista de sobretaxas, sob o argumento de que esses itens não possuem substitutos produzidos no mercado americano.
Governo descarta negociação direta entre Lula e Trump
Nos bastidores, a avaliação é de que Lula não deverá buscar uma negociação direta com Donald Trump neste momento. O governo considera pouco provável que os Estados Unidos adiem a entrada em vigor das tarifas, já que Washington tem mantido uma política comercial baseada no aumento de taxas de importação e sinalizado que o prazo para conclusão da investigação é definitivo.
Ainda assim, o Planalto avalia que um eventual adiamento seria positivo para ampliar o espaço de negociação, desde que a decisão fosse motivada por razões econômicas ou pela necessidade de aprofundar as tratativas entre os dois países.
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