Decisão depende da evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã e dos impactos sobre o preço internacional do petróleo

A equipe econômica pretendia encerrar o benefício já nesta semana. Os planos, porém, mudaram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o fim do cessar-fogo com o Irã, elevando as preocupações com uma possível disparada no preço do barril.
A avaliação do governo é que uma escalada da tensão no Oriente Médio pode comprometer o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Caso a cotação volte a subir de forma significativa, o subsídio poderá ser mantido por mais tempo para amortecer os impactos ao consumidor.
No Ministério da Fazenda, o cenário é acompanhado diariamente. A expectativa é encerrar o benefício assim que houver maior estabilidade no mercado internacional.
Para o pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre), Manoel Pires, a redução ou até o fim do subsídio é justificável. Isso porque os recursos que financiam a política dependem da arrecadação gerada pela exploração de petróleo, principalmente por meio dos royalties.
"O governo vai ter que avaliar, nesta nova rodada de conflitos, qual será o impacto sobre o preço do petróleo para dosar a medida da forma mais adequada", afirmou. "Se esse impacto for menor, naturalmente haverá um ganho de arrecadação menor, menos espaço orçamentário para manter esse tipo de medida e, também, uma necessidade menor de adotá-la."
Enquanto isso, consumidores e donos de postos defendem cautela. Representantes do setor afirmam que aumentos no preço da gasolina reduzem a demanda e afetam diretamente as vendas.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis do Distrito Federal, Paulo Tavares, o recente reajuste já provocou uma queda na procura pelo combustível, e novos aumentos podem agravar esse cenário. Ele afirma que preços elevados prejudicam tanto os consumidores quanto os revendedores.
"Revendedor não gosta de preço alto. Esse pequeno reajuste que já ocorreu já reduziu a demanda pelo combustível", disse. "Se houver novos aumentos, a situação tende a piorar. Para nós, preço alto de combustível é um problema."
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