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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Sem filtros e com irreverência, Macaco Gordo lidera como a transmissão mais vista da folia no país

Sem filtros nem protocolos e feita com irreverência na linguagem, improviso e olhos voltados à pipoca em tempo real, Carnaval da Macaco reinventa o modo de cobrir a folia e se torna a transmissão digital mais vista do país
Foto: Tacio Moreira/Macaco Gordo
Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 18 de fevereiro de 2026
Se o Carnaval de Salvador já nasce grande, a Macaco Gordo resolveu transmitir do mesmo jeito: sem moderação. Em 2026, a cobertura do Carnaval feita pela Macaco se consolidou como a maior transmissão digital da folia no Brasil, com linguagem nativa da internet, câmera no meio do povo e zero paciência para burocracia. Aqui não tem filtro plastificado nem distância segura. Tem suor, trio elétrico e emoção em tempo real. Por: Daniela Gonzalez e Duda Matos no dia 19 de fevereiro de 2026 às 07:30

Os números vieram no ritmo do tambor. Foram mais de 50 mil aparelhos conectados simultaneamente em um único dia, marco histórico para a live, além de recordes quebrados em comparação aos dois anos anteriores. Do pré-Carnaval ao Arrastão na Quarta-feira de Cinzas, a cobertura somou mais de 100 horas ao vivo e ultrapassou 6 milhões de visualizações só nos vídeos das transmissões.

No YouTube, espinha dorsal da estratégia da produtora, o canal já reúne mais de 1,1 milhão de inscritos e acumulou, durante o período da festa, mais de 18 milhões de visualizações e 2,2 milhões de horas assistidas. E a festa não parou por aí. Somadas todas as plataformas, a Macaco Gordo já passou de 7 milhões de contas alcançadas, 41 milhões de visualizações e 102 milhões de impressões. A internet não apenas assistiu ao Carnaval. Ela entrou na pipoca.
Misturas e conexões
Sem roteiro engessado e com zero vocação para protocolos, a cobertura misturou bastidor, gargalhada e improviso, com a sensação de que quem assistia estava dentro da corda, ou melhor, na pipoca. Este ano, a transmissão ainda atravessou fronteiras e acompanhou o Galo da Madrugada, em Recife, conectando dois dos maiores polos da folia nordestina na mesma tela.

A interatividade virou parte do espetáculo. Teve sorteio de voucher, brincadeira com Pix, desafio ao vivo e participação ativa de quem estava em casa e de quem cruzava com a equipe na rua. A lógica foi simples: menos distância, mais troca.

‘A gente vive a festa’, diz Chico Kertész
Diretor da Macaco Gordo, Chico Kertész resume a proposta: “A gente não transmite o Carnaval. A gente vive o Carnaval e deixa quem está acompanhando viver junto”. Segundo ele, a linguagem nasce do próprio ambiente virtual. “Como nascemos no digital, nossa linguagem é direta, orgânica, quase documental. Fugimos da estética plastificada da TV tradicional para colocar a câmera no meio do povo, onde a festa realmente acontece”.

Chico afirma ainda que a escolha impacta toda a operação técnica. “Descentralizamos, espalhamos câmeras, priorizamos mobilidade e construímos a transmissão como um organismo vivo, que reage ao que está acontecendo em tempo real. Menos bancada, mais rua”. Para ele, a experiência vai além do ao vivo. “Não é só distribuir conteúdo, é construir narrativa no mesmo compasso da folia”, analisa.

No fim, como define o diretor, “enquanto a televisão enquadra o Carnaval, a gente deixa o Carnaval enquadrar a gente” e multiplica essa energia em todas as telas.

Da rua para a tela, sem filtro
Para João Caldas, gerente de tráfego da produtora, o diferencial da Macaco Gordo está na origem. “Nossa transmissão tem o diferencial de ter surgido completamente no digital e fugir de toda plasticidade da televisão. O fato de o Carnaval da Macaco ser nativo digital nos permite fazer uma transmissão com uma linguagem que realmente representa o Carnaval de Salvador. Com foco principalmente na rua, no povo, onde o carnaval existe de fato”, ressalta.

Ele atribui o engajamento à conexão com a música e com os artistas da festa. “A relação de anos com os artistas que fazem a festa e uma paixão real pelo universo do axé, do pagodão, de tudo que é a música popular baiana, faz o espectador se sentir em casa. A nossa ‘transmissão sensorial’, de fato, coloca o público em um lugar catártico, nós estamos reunindo os apaixonados pela festa e trazendo cada vez mais gente para esse grupo”, emenda.

Segundo Caldas, os números confirmam o alcance do projeto. “Estamos batendo todos os recordes de audiência, liderando todos os índices, e sabemos que é só o começo: o Carnaval de Salvador é o Carnaval do Brasil”, comemora.

Próximos passos
Se os números confirmam a força da transmissão, os bastidores já estão voltados para o que vem depois. Produtor executivo da Macaco Gordo, Igor Amorim reforça que a engrenagem não para quando a última música acaba e que o planejamento do próximo Carnaval começa ainda com a festa quente na memória. “Chico, por exemplo, já tem várias ideias em incubação, novos formatos, novas dinâmicas. A gente vive em teste, está é a dinâmica do digital. Toda semana surge uma novidade”, diz.

Segundo ele, qualquer previsão fechada não combina com a velocidade da internet. “Fica até a provocação: será que no ano que vem teremos dois canais? Talvez. Mas quem acha que dá para cravar isso agora não entendeu a velocidade da internet. Um ano no digital muda tudo. Nosso compromisso é continuar experimentando e levando nosso amado carnaval para ainda mais gente”, projeta.

Troféu Axé – Canto do Povo de um Lugar

Quando o último acorde ecoa na avenida e o glitter insiste em não ir embora, o Carnaval começa a virar história. E história também se escreve com troféu na mão. Na terceira edição do Troféu Axé – Canto do Povo de um Lugar, três nomes foram eternizados na folia de 2026: Tony Salles venceu na categoria Música do Carnaval com o hit “Panamera” e levou a estatueta Damiana; a banda Filhos de Jorge foi eleita Destaque do Carnaval; e Igor Kannário recebeu o prêmio Conjunto da Obra, reconhecimento à trajetória e à força do cantor construída na avenida. A premiação é assinada pelas Gordinhas de Ondina, oficialmente conhecidas como As Meninas do Brasil, criadas pela artista plástica Eliana Kertész.
Fenômeno digital
Estrategista especializado em marketing político e eleitoral, o publicitário João Santana comparou a Macaco Gordo a um dos maiores fenômenos recentes da comunicação digital no Brasil. Mais precisamente à CazéTV, que revolucionou a transmissão esportiva ao levar grandes eventos para o YouTube com linguagem leve, interativa e nativa da internet, conquistando milhões de visualizações e uma audiência que antes estava concentrada na TV tradicional.

Para João Santana, conhecido pelas inúmeras campanhas presidenciais vitoriosas, a Macaco Gordo tem potencial semelhante no entretenimento e na música. “Há um canal de YouTube baiano que tem tudo para repetir na área musical e de entretenimento o fenômeno que a Cazé TV tem representado no esporte. Trata-se da Macaco Gordo, que além de produções variadas durante o ano, dá um verdadeiro show na cobertura do carnaval baiano”, elogiou o marqueteiro.

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