
No mês da mulher, um mergulho nos dados mais recentes mostra que, apesar da queda na mortalidade e nos casos de aids, o HIV ainda atinge mulheres cisgêneras de forma desigual — especialmente negras, jovens adultas e aquelas em idade reprodutiva.
Quatro décadas após o início da resposta brasileira à epidemia, o país acumula 1.679.622 pessoas vivendo com HIV ou aids. Os dados constam no Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, publicado pelo Ministério da Saúde. Embora a epidemia esteja hoje mais concentrada entre homens, o retrato feminino revela vulnerabilidades persistentes — e um padrão marcado por desigualdades raciais e sociais.
Um terço da epidemia
Desde 1991, foram registrados 232.473 casos de infecção pelo HIV em mulheres, o que corresponde a 34,1% do total. Em 2024, a razão de sexos chegou a 28 homens para cada 10 mulheres — indicador de que a epidemia se masculinizou ao longo do tempo.
Mas os números femininos seguem expressivos.
No último ano analisado:
* 81,4% dos novos casos entre mulheres ocorreram na faixa de 15 a 49 anos — idade reprodutiva.
* A participação de mulheres com 50 anos ou mais subiu de 10,9% em 2014 para 17% em 2024.
O dado aponta para dois fenômenos simultâneos: a permanência da vulnerabilidade entre mulheres jovens e o envelhecimento da epidemia.
A epidemia tem cor

A desigualdade fica ainda mais evidente quando se observam as gestantes. A taxa de detecção de HIV em gestantes pretas foi de 5,6 casos por 1.000 nascidos vivos, enquanto entre brancas foi de 2,7 por 1.000 — risco 107,9% maior entre pretas.
O dado não fala apenas de biologia. Fala de acesso desigual a serviços de saúde, educação, renda, prevenção e autonomia.
Gravidez, diagnóstico e lacunas no cuidado

Entre 2000 e setembro de 2025, foram notificadas 173.670 gestantes, parturientes ou puérperas com HIV no Brasil. Apenas em 2024, foram 7.523 casos — taxa nacional de 3,2 por 1.000 nascidos vivos.
A maioria das mulheres (60,8%) já sabia do diagnóstico antes do pré-natal, o que amplia as chances de prevenção da transmissão vertical. Ainda assim, 6% receberam o diagnóstico durante ou após o parto — sinal de falha no acesso oportuno ao teste.
Embora cerca de 90% realizem pré-natal, apenas 72,4% estavam em uso de terapia antirretroviral durante o acompanhamento gestacional. A meta para certificação da eliminação da transmissão vertical é de pelo menos 95% de cobertura. Mais na agenciaaids



























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