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quinta-feira, 5 de março de 2026

Tamanho das favelas quase triplica no Brasil

A expansão das favelas ocorre principalmente nas regiões metropolitanas e em áreas periféricas de grandes capitais
Por: Max Gonçalves / agenciavoz
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A área ocupada por favelas no Brasil quase triplicou nos últimos 40 anos, segundo dados apresentados nesta quarta-feira pela MapBiomas. O levantamento aponta que esses territórios passaram de cerca de 330 mil hectares, em 1985, para aproximadamente 890 mil hectares em 2023. O número revela a expansão acelerada das ocupações urbanas informais e reforça o desafio histórico da falta de moradia adequada no país.

De acordo com o estudo, o avanço foi mais intenso a partir dos anos 2000, acompanhando o crescimento das cidades e o aumento da população urbana. A expansão das favelas ocorre principalmente nas regiões metropolitanas e em áreas periféricas de grandes capitais, onde há maior concentração de empregos, mas também forte pressão sobre o mercado imobiliário.

Os dados foram obtidos por meio de análise de imagens de satélite e tecnologias de georreferenciamento, que permitem identificar e mapear padrões de ocupação do solo ao longo do tempo. O mapeamento mostra que o crescimento dessas áreas não é apenas demográfico, mas também territorial, com ampliação física significativa das comunidades já existentes.

Especialistas apontam que o fenômeno está diretamente ligado à desigualdade social, ao déficit habitacional e à dificuldade de acesso a moradias formais a preços compatíveis com a renda da população de baixa renda. A ausência de planejamento urbano consistente e de políticas públicas contínuas de habitação contribui para o avanço das ocupações em áreas muitas vezes vulneráveis, como encostas e margens de rios.

Esse cenário amplia os riscos diante do aumento de eventos extremos associados às mudanças climáticas, como chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra. Comunidades instaladas em encostas íngremes ou áreas sujeitas a alagamentos tendem a ser as mais afetadas por tragédias ambientais, com perdas materiais e, em casos mais graves, vítimas fatais. Pesquisadores alertam que, sem políticas de adaptação climática integradas ao planejamento urbano, a população que vive em áreas informais continuará mais exposta aos impactos das tempestades cada vez mais frequentes e intensas no país.  Reportagem, Max Gonçalves

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