Aviso de gatilho: A reportagem abaixo contém relato de violência obstétrica. Leia com cuidado.
Racismo obstétrico atravessa parto e atinge primeira infância
‘Eu não sabia que podia questionar’: racismo obstétrico atravessa parto e atinge primeira infância
Mulheres negras recebem atendimento desigual desde o pré-natal; estudos relacionam racismo e piores condições de saúde materna e infantil
— Daniel Pereira/Alma Preta / Jean Albuquerque
Quando entrou em trabalho de parto pela primeira vez, aos 20 anos, Evellyn Ribas Rocha não sabia que tinha o direito de perguntar quais medicamentos estavam sendo administrados nem de ter ao seu lado um acompanhante de sua escolha. Sozinha e com dores cada vez mais intensas, percebeu que algo não estava certo, mas não encontrou espaço para fazer perguntas ou ser ouvida.
“Eu senti na pele que alguma coisa não estava certa. Só muitos anos depois consegui nomear aquela experiência como violência obstétrica e refletir sobre ela também a partir do racismo obstétrico”, conta.
Hoje, aos 35 anos, é pedagoga, psicopedagoga, coordenadora de Assistência Social do Coletivo Pais Pretos Presentes e mãe de Isaque Ribas, de 14 anos, e Gustavo Ribas, de 11. O primeiro filho nasceu em 19 de setembro de 2011, em uma maternidade pública. Anos mais tarde, ela voltou a dar à luz pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas encontrou uma assistência diferente.
O contraste entre os dois partos mostra como acesso à informação, escuta e respeito à autonomia podem transformar a experiência do nascimento. Também evidencia que o racismo obstétrico não se limita ao momento do parto — se manifesta desde a forma como mulheres negras são acolhidas e tratadas pelos serviços de saúde e pode deixar consequências para elas e seus filhos. Mais no almapreta
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