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sábado, 7 de novembro de 2026

Novembro Azul precisa incluir mulheres trans e travestis na conversa sobre câncer de próstata

Para o infectologista Maiky Prata, o preconceito pode afastar dos serviços de saúde quem precisa de orientação ou tem um sintoma a investigar.
Quando o Novembro Azul convida os homens a cuidar da saúde, quem mais se reconhece nesse chamado? Mulheres trans, travestis e pessoas não binárias que têm próstata também podem desenvolver câncer nesse órgão. Para o infectologista Maiky Prata, incluí-las na campanha passa tanto pela mensagem que chega ao público quanto pelo atendimento que encontram quando procuram ajuda.

Médico do Ambulatório de Atendimento Integral à Saúde da População de Travestis, Transexuais e Pessoas Não Binárias de Diadema (DIATRANS), Prata vê na própria cor da campanha uma oportunidade de discutir a quem ela se dirige.

“Quando se tem um mês voltado para lembrar da importância do cuidado de prevenção do câncer de próstata, tem o azul como tema, para que lembremos das masculinidades, já que, no geral, é a cor socialmente relacionada ao masculino. No entanto, o foco não pode perder de vista todas as pessoas que têm próstata”, afirma.

A dificuldade pode começar antes mesmo da consulta. O receio de sofrer discriminação pode levar uma pessoa a adiar a ida à unidade de saúde, inclusive quando percebe que algo mudou. “Impor barreiras de acesso de acordo com gênero, orientação sexual sempre será um marcador de exclusão e aumento da vulnerabilidade a agravos de saúde”, diz o médico.

O que muda com o uso de hormônios?
Segundo Prata, o risco de desenvolver câncer de próstata é menor entre quem usa estrogênio junto com medicamentos que bloqueiam a ação de hormônios como a testosterona. Uma dúvida que também merece espaço na campanha é se a pessoa ainda precisa de cuidados com a próstata depois da cirurgia de afirmação de gênero.

“Isso não significa risco zero, mesmo em mulheres que fizeram redesignação sexual, já que a próstata é mantida neste procedimento”, explica.

O uso de hormônios também é uma informação importante na hora de interpretar o PSA, exame de sangue que ajuda a investigar alterações na próstata. A hormonioterapia pode baixar o nível de PSA no sangue. Assim, um resultado considerado baixo para um homem cis pode merecer atenção em uma mulher trans que usa estrogênio. Ainda não se sabe qual valor indica, com maior precisão, a necessidade de investigar essa população.

Quando procurar atendimento
Perceber que o jato de urina ficou mais fraco, ter dificuldade para começar a urinar ou passar a se levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro são mudanças que merecem ser relatadas em consulta. Mais na agenciaaids

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