Para o infectologista Maiky Prata, o preconceito pode afastar dos serviços de saúde quem precisa de orientação ou tem um sintoma a investigar.


“Quando se tem um mês voltado para lembrar da importância do cuidado de prevenção do câncer de próstata, tem o azul como tema, para que lembremos das masculinidades, já que, no geral, é a cor socialmente relacionada ao masculino. No entanto, o foco não pode perder de vista todas as pessoas que têm próstata”, afirma.
A dificuldade pode começar antes mesmo da consulta. O receio de sofrer discriminação pode levar uma pessoa a adiar a ida à unidade de saúde, inclusive quando percebe que algo mudou. “Impor barreiras de acesso de acordo com gênero, orientação sexual sempre será um marcador de exclusão e aumento da vulnerabilidade a agravos de saúde”, diz o médico.
O que muda com o uso de hormônios?
Segundo Prata, o risco de desenvolver câncer de próstata é menor entre quem usa estrogênio junto com medicamentos que bloqueiam a ação de hormônios como a testosterona. Uma dúvida que também merece espaço na campanha é se a pessoa ainda precisa de cuidados com a próstata depois da cirurgia de afirmação de gênero.
“Isso não significa risco zero, mesmo em mulheres que fizeram redesignação sexual, já que a próstata é mantida neste procedimento”, explica.
O uso de hormônios também é uma informação importante na hora de interpretar o PSA, exame de sangue que ajuda a investigar alterações na próstata. A hormonioterapia pode baixar o nível de PSA no sangue. Assim, um resultado considerado baixo para um homem cis pode merecer atenção em uma mulher trans que usa estrogênio. Ainda não se sabe qual valor indica, com maior precisão, a necessidade de investigar essa população.
Quando procurar atendimento
Perceber que o jato de urina ficou mais fraco, ter dificuldade para começar a urinar ou passar a se levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro são mudanças que merecem ser relatadas em consulta. Mais na agenciaaids
Nenhum comentário:
Postar um comentário