Victor Quirino*
Escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027, longa de Allan Deberton busca manter a sequência de indicações do país

Nos últimos dois anos, o cinema brasileiro voltou a ganhar destaque no Oscar. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, conquistou a primeira estatueta do país na categoria de Melhor Filme Internacional. A vitória reacendeu a chama do cinema nacional nas competições globais, mantida acesa no ano seguinte por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que garantiu mais uma indicação, embora não tenha levado o prêmio.
Agora, a expectativa é que Feito Pipa, novo longa de Allan Deberton, dê continuidade a essa trajetória. Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2027, o filme carrega a responsabilidade de buscar uma terceira indicação consecutiva para o país.
Mas será que a produção tem força para chegar tão longe?
Quando o vento muda de direção

Um dos maiores méritos de Feito Pipa está na forma como o roteiro articula diferentes conflitos sem perder a naturalidade da narrativa. A construção dos personagens é cuidadosa, e suas relações se desenvolvem de maneira orgânica, sem diálogos ou situações que pareçam artificiais.
As atuações acompanham essa proposta. O elenco apresenta excelentes interpretações, que contribuem para a sensação de intimidade com os personagens. Em vez de recorrer a grandes gestos dramáticos para provocar emoção, o filme encontra força no silêncio e nos pequenos momentos contemplativos. Mais no portaldocase
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