Relatório detalha esquema de coerção, invasão de sistemas e obstrução de justiça pelo coordenador do grupo criminosos chamado de “Turma”
Ighor Nóbrega, Hariane Bittencourt-SBT
Felipe Mourão, conhecido como 'Sicário', era aliado de Vorcaro

Relatório da Polícia Federal mostra que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro realizava pagamentos de R$ 1 milhão para Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, para coordenar ações de intimidação a detratores do então dono do Banco Master. O documento foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O montante era repassado mensalmente para Mourão, que ficava com parte do dinheiro e dividia o restante entre os integrantes da chamada “Turma”, que era o núcleo armado da organização criminosa.
Esse valor era uma remuneração pelo trabalho de intimidação digital e física prestado por executores e hackers. Ele era pago por empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
A PF listou quatro pilares de atuação da “Turma”. Além da intervenção física, que incluia pressão, ameaças e coerção para causar medo e obter vantagens, o grupo também obtia informações sigilosas de processos e inquéritos, derrubava e criava perfis e conteúdos em redes sociais e atuava para obstruir investigações judiciais.
“As mensagens analisadas indicam que Felipe Mourão atua como executor direto das determinações de Daniel Bueno Vorcaro, realizando monitoramentos, providenciando a retirada de conteúdos e coordenando ajustes estratégicos no ambiente digital. Além dessas ações, há indícios de acesso indevido a documentos oficiais, de articulações iniciais com estruturas criminosas, bem como de manipulação de avaliações e inserção de comentários com o objetivo de fabricar reputação e influenciar a percepção pública", relata a PF.
Uma dessas operações coordenadas por Mourão envolvia o mapeamento de qualquer investigações envolvendo as fraudes do Master e da venda do banco para o BRB.
Em um dos achados, “Sicário” compartilhou com Vorcaro uma consulta feita nos sistemas do Ministério Público Federal (MPF) a partir das palavras “BRB and Master”. Em resposta, o banqueiro pediu “atenção total” ao aliado. “Quero tudo”, disse. Mourão respondeu: “Sim! Então vou mandar puxar geral. Ok”.
“A sucessão desses episódios indica possível utilização de meios indevidos para acesso a informações protegidas, com potencial comprometimento da legalidade, da integridade das investigações e do sigilo institucional, circunstâncias que reforçam a necessidade de apuração específica acerca da origem e da forma de obtenção desses documentos”, conclui o relatório.
Felipe Mourão, o “Sicário”, foi preso na operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes do Banco Master. Ele morreu na prisão em 6 de março deste ano. A causa da morte foi suicídio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário