Relatório Mundial de Alzheimer 2026 mostra avanço na busca por tratamentos, mas alerta para barreiras ao recrutamento e concentração geográfica dos centros de pesquisa
Foto: Divulgação / Agência DIno

O Relatório Mundial de Alzheimer 2026, divulgado nesta segunda-feira (21) pela Alzheimer’s Disease International (ADI), aponta que 158 medicamentos estão sendo avaliados em 192 ensaios clínicos contra a doença em diferentes países.
Os estudos precisam reunir cerca de 55 mil participantes, mas o recrutamento é um dos principais desafios. Segundo o relatório, devido aos critérios de seleção e às dificuldades de encaminhamento, seria necessário que aproximadamente 350 mil pessoas se candidatassem para preencher todas as vagas.
O documento também destaca a concentração das pesquisas em determinadas regiões. A América Latina conta com 321 centros de pesquisa, número inferior ao registrado na América do Norte e na Europa.
Para o neurocientista Mychael Lourenço, professor da UFRJ e pesquisador na área, o avanço científico das últimas décadas aumenta a possibilidade de desenvolver tratamentos capazes de modificar o curso da doença.
“O conhecimento científico na área cresceu e se qualificou muito nas últimas duas décadas”, afirmou.
O pesquisador defende ainda uma maior participação do Brasil nos ensaios clínicos, destacando a diversidade genética e sociocultural da população brasileira como um fator que pode contribuir para a avaliação dos tratamentos.
O relatório recomenda também que pessoas com demência e seus familiares participem das pesquisas desde as etapas iniciais. A ADI defende que os estudos avaliem não apenas resultados de exames e testes cognitivos, mas também impactos na independência, nas atividades diárias e na qualidade de vida dos pacientes.
A divulgação do relatório ocorre durante o Setembro Lilás, campanha de conscientização sobre a doença promovida no Brasil pela Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz).
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