
Pesquisa com jovens de 15 a 19 anos em São Paulo e Fortaleza expõe distância entre adolescentes e serviços de prevenção: uso irregular de preservativos, álcool, drogas, violência e relações com parceiros de sorologia desconhecida também aparecem entre as vulnerabilidades.
Eles já tinham vida sexual ativa. Ainda assim, para a maioria, o teste de HIV nunca havia feito parte do cuidado com a própria saúde.
Uma pesquisa realizada com adolescentes homens que fazem sexo com homens em São Paulo e Fortaleza encontrou um dado que chama a atenção para um dos desafios persistentes da resposta brasileira à epidemia: 64,6% nunca haviam realizado um teste para HIV antes de entrar no estudo.
E a ausência de testagem não aparece sozinha. Entre os participantes, 38% relataram uso inconsistente de preservativo e 23,8% disseram ter feito uso sexualizado de álcool ou outras drogas. Relações com parceiros cujo status sorológico para HIV era desconhecido, consumo semanal de álcool e experiências de violência também aparecem associados a situações de maior vulnerabilidade.
Publicado em 2026 na Revista Brasileira de Epidemiologia, o estudo reuniu 287 adolescentes cisgêneros de 15 a 19 anos, sendo 211 de São Paulo e 76 de Fortaleza. A idade mediana era de 17 anos. Para participar, era necessário morar, estudar ou trabalhar em uma das duas capitais e ter mantido relação sexual anal ou oral com outro homem nos 12 meses anteriores.
O levantamento não permite afirmar que a realidade encontrada represente todos os adolescentes brasileiros que fazem sexo com homens. Mas joga luz sobre uma população que, embora tenha indicação para estratégias de prevenção do HIV, ainda pode permanecer distante da testagem e dos serviços de saúde.
Quando a prevenção não chega
O dado dos 64,6% ganha outra dimensão porque o Brasil dispõe hoje de um conjunto de tecnologias para evitar novas infecções pelo HIV.
O SUS oferece gratuitamente preservativos, testagem, profilaxia pós-exposição (PEP) e profilaxia pré-exposição (PrEP). A PrEP oral pode ser indicada a pessoas sexualmente ativas a partir dos 15 anos, desde que tenham peso igual ou superior a 35 quilos e estejam em contexto de vulnerabilidade ao HIV. Para adolescentes com capacidade de compreender a estratégia, o protocolo não exige consentimento dos responsáveis. Mais na agenciaaids
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