Em entrevista à Agência Aids, infectologista, sexólogo e pesquisador defende que prevenção deve ir além do controle de infecções e incorporar prazer, desejo, consentimento, equidade e dignidade

Falar de saúde sexual é falar de prevenção, mas também do direito de desejar, sentir prazer, consentir, recusar, construir vínculos e viver a própria sexualidade sem violência, estigma ou discriminação. Celebrado nesta sexta-feira (4), o Dia Mundial da Saúde Sexual reforça que esse campo não pode ser reduzido à ausência de infecções ou doenças.
Criada em 2010 pela Associação Mundial para a Saúde Sexual (WAS, na sigla em inglês), a data busca ampliar a conscientização sobre saúde, direitos, justiça e prazer. Em 2026, o tema “Every Body” reúne duas ideias: “todo corpo” e “todas as pessoas”. A campanha reconhece que a sexualidade é vivida no corpo, mas alerta que nem todos os corpos atravessam o mundo em condições de igualdade.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde sexual como um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social relacionado à sexualidade. O conceito inclui a possibilidade de viver experiências sexuais seguras e prazerosas, livres de coerção, discriminação e violência.
É a partir desse olhar ampliado que o Dr. Hilton Luís Alves Filho propõe deslocar o centro da conversa: da prevenção baseada exclusivamente no risco para um cuidado construído com escuta, direitos e possibilidades reais. Médico infectologista, sexólogo, preceptor no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e doutorando em Educação pela mesma instituição, ele pesquisa prevenção combinada do HIV, PrEP e saúde integral da população LGBTI+.
“Cuidar da saúde sexual exige (in)formação crítica, vínculo e autonomia, não terror ou culpa”, afirma o Dr. Hilton. Para ele, exames e tecnologias biomédicas são fundamentais, mas não contam toda a história. Uma consulta bem-sucedida também pode significar enfrentar uma situação de violência, discutir consentimento, reduzir o estigma ou encontrar uma estratégia de prevenção compatível com a vida de cada pessoa.
Nesta entrevista à Agência Aids, o especialista fala sobre os efeitos da PrEP para além da proteção contra o HIV, as desigualdades no acesso às novas tecnologias, as marcas deixadas pelas campanhas baseadas no medo, a persistência do estigma mesmo diante do I=I — indetectável igual a intransmissível — e os aprendizados que a medicina ainda precisa incorporar para cuidar melhor da vida sexual das pessoas. Leia, a seguir, a entrevista na íntegra. Mais na agenciaaids
Nenhum comentário:
Postar um comentário