Aposta na especialização
O ministro Edson Fachin afirmou que o combate ao crime organizado assumiu um caráter transnacional

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, esteve no lançamento das varas, nesta quarta-feira (8/7). Segundo ele, há um conjunto de medidas em articulação com o Banco Central para criar mecanismos para coibir o uso de bets ilegais e criptomoedas na lavagem de dinheiro.
“A relação entre o crime organizado e as bets ilegais é um tema relevante para despertar a necessidade de uma regulação financeira. Há um mercado clandestino para cometer delitos como lavagem de dinheiro em integração com outras atividades criminosas, como o tráfico, o contrabando, a extorsão e a corrupção”, disse Fachin.
O magistrado afirmou ainda que o tema já assumiu um caráter transnacional, pois empresas constituídas fora do país são usadas para ocultar recursos oriundos do crime organizado. “Ainda há uma fragmentação das transações, dificultando as investigações e bloqueios patrimoniais para a recuperação de ativos.”
Nacionalização das facções
Fachin também demonstrou preocupação com a nacionalização das organizações criminosas, que, segundo ele, passaram a atuar na grilagem de terras, no desmatamento e no garimpo ilegal, principalmente na Região Norte.
“Há um conjunto de temas que têm correlação com o tráfico de drogas e de armas. O estado de São Paulo, com essa iniciativa, mostra como o Poder Judiciário vai responder a essa tragédia contemporânea que são as facções criminosas.”
Juízes sob risco
Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Francisco Eduardo Loureiro disse que a nova estrutura transfere todas as investigações envolvendo o crime organizado para as varas especializadas na capital paulista. “São crimes de extrema complexidade. Por isso, foram concentrados em juízes especializados.”
Ele também informou que essas varas estarão ligadas a uma rede nacional de juízes especializados no combate a organizações criminosas. “É muito comum que, em uma operação em São Paulo, haja ramificações, com diligências cumpridas em outros estados. Por isso, a importância de uma rede nacional.”
A concentração das varas em São Paulo também está ligada a uma outra preocupação: a vulnerabilidade de magistrados responsáveis por investigações contra organizações criminosas. Segundo o CNJ, mais de cem juízes estão em atividades de risco no Brasil — 79 deles atuando com medidas protetivas.
“Isso requer uma atenção especial, seja pela ameaça ou pela violência direta. É preciso ter um cuidado com os magistrados sob ameaça das organizações criminosas. É preciso evitar um efeito sistêmico sobre a independência judicial”, alertou Fachin.
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